Calendário Coloplast: histórias de vida que nos inspiram
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Calendário Coloplast

Conheça as histórias das 12 pessoas que dão vida ao Calendário Coloplast. São 12 pessoas reais. 12 histórias reais que partilharemos consigo ao longo do ano.

Todos os meses sai uma história nova, fique atento!
Karla

Karla

Fotógrafa, colecionadora de histórias e apaixonada por museus. Conheça a história da Karla
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Karla, ileostomizada há 1 ano

Karla
Aos 17 anos apareceu-lhe uma doença muito desconfortável e que não se sabia o que era. Mais tarde veio a descobrir-se que se tratava da Doença de Crohn.
Como era a altura em que se preparava para entrar na faculdade, Karla não conseguiu entrar devido à elevada frequência de internamentos a que fora submetida, mas isto não foi tão mau quanto imaginava, pois percebeu que afinal não gostava nada de ciências (que seria o que imaginava seguir). Karla pensou que escrevia bem e como adorava ler, percebeu que humanidades tinha mais a ver com ela.
No meio das dúvidas em relação às suas aptidões e ao seu difícil diagnóstico, decidiu fazer uma viagem e disse que não voltava antes de saber o que queria fazer em relação à sua vida profissional. Karla deu a volta à Grã Bretanha e decidiu que se dedicaria à fotografia, a sua antiga paixão.

É impossível contar a história da Karla sem falar de fotografia. A fotografia sempre foi uma paixão. O seu pai e o avô eram fotógrafos amadores e Karla herdava as máquinas antigas do seu pai, à medida que ele as ia trocando. Karla estudou e passou a ser fotógrafa, dividindo-se entre a fotografia, hospitais e cirurgias.
Foi nesta altura que os médicos lhe disseram que não teria muito tempo de vida e que não chegaria sequer aos 30 anos. Karla vivia cada dia como se fosse o último, e cada cirurgia que fazia sentia que seria a última.
Aos poucos as coisas foram melhorando e percebeu que teria de conviver com a doença. Chegaram os 30, os 40 e os 50. Cirurgia após cirurgia para retirar mais um pouco do intestino, Karla percebeu que o que queria era mesmo fotografar. Encontrou forças no trabalho, mais concretamente na fotografia, e segundo ela, desde que esteja a trabalhar já não pensa em mais nada.

Com a evolução da doença, Karla chegou a um ponto em que sentia dores muito fortes e já não sabia o que era uma vida sem dor. Passou 3 anos em observação para ver se as dores melhoravam, se seria possível conviver com aquela doença... usava fraldas e estava completamente incontinente. Por diversas vezes estava a fotografas e teve acidentes. Estava numa desidratação enorme, fraca e sem força para nada. Até ao ponto em que o médico decidiu que a cirurgia era mesmo a melhor solução.
Em Setembro de 2019 Karla fez uma ileostomia. Quando acordou, sem dores, imaginou que estivesse no céu. Não conseguia acreditar que já não tinha mais dores. No início, o mais difícil foi a adaptação ao estoma. Depois de um tempo, Karla diz que já consegue fazer substituições muito rapidamente, e diz que até poderia participar de concursos de rapidez para trocar o saco. Como é muito ativa, está sempre preparada - e com o saco a postos. Já passou por alguns acidentes, mas conta-os sempre com um grande sorriso no rosto.

Um ano depois da cirurgia, Karla relata que é uma maravilha viver sem dores. Diz que enfrenta alguns desafios devido à sua profissão, pois como é fotógrafa tem por diversas vezes se colocar em posições difíceis, mas lida com isso com humor (às vezes negro, como ela mesma diz) e gratidão. Alega que daqui a algum tempo com certeza que se vai esquecer totalmente do saco. Diz que pensa que seria melhor ficar em casa e controlada, mas que como é muito ativa, que a sua casa ideal ideal seria uma caravana ou mesmo uma tenda.
O saco não a impede de fazer nada, só tem que se adaptar. Karla diz que teve que fazer uma escolha, lamentar-se ou lidar com a sua doença com humor, e ela, apesar de saber chorar, escolheu sorrir.

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David

David

Agricultor reformado, apaixonado pela sua quinta, animais e plantações. Conheça a história do David
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David, ileostomizado há 2 anos

David
Aos 37 anos David começou a sentir os primeiros sintomas, começou a sentir dores abdominais e decidiu ir ao médico. Foi até Leiria que era o centro de saúde mais próximo. Realizou exames e recebeu um diagnóstico que nas palavras do médico era “muito mau”. Relata que na imagem do exame tinham “dois ovos”, expressão que utiliza quando se refere aos pólipos.
David diz que os sintomas não eram muito severos, tinha certas dores, mas nada muito forte, o que lhe chamou atenção foi o sangue. Em menos de um mês foi internado e realizou uma operação onde retirou todo o intestino grosso e fez uma ligação do duodeno ao reto.

David passou dois anos sem conseguir ter uma vida normal. Alega que precisou desse tempo para se recuperar, pois diz que não conseguia dormir mais do que duas horas e que passou cerca de sensivelmente um ano a dormir sentado (era esta a única posição em que o intestino não exercia pressão).
Depois desse tempo voltou a trabalhar como motosserrista. Para continuar a trabalhar, David utilizava cintas e fazia análises de seis em seis meses, onde começou a constatar que na parte que ainda lhe restava do intestino, continuava a criar pólipos.
Em maio de 2018 teve um acidente no trabalho e teve de ser submetido a uma cirurgia. Logo após essa cirurgia passou a ter dores muito fortes na barriga e foi diagnosticado com cancro. Em outubro de 2018 teve de fazer a cirurgia de construção do estoma e em maio de 2019, outra. David passou 40 dias internado e é Ileo e Urostomizado.

Hoje David tem 62 anos. Vive bem, sem dores, mora sozinho, é independente e lida com suas duas ostomias com humor e tranquilidade. Diz que encontrou forças na sua cabeça, e na sua força de vontade, para viver. É super ativo, e como ele mesmo diz "só está em casa por causa da pandemia" - por que por ele estaria sempre na rua. Não se isola e vive a sua vida normalmente. Quando está em casa também não fica parado, tem criação de ovelhas, galinhas e outros animais que o entretêm.

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Paulo

Paulo

Oficial da força aérea portuguesa, apaixonado por aviões e por contar histórias. Conheça a história do Paulo
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Paulo, colostomizado há 1 ano

Paulo
Oficial da força aérea portuguesa com 39 anos de carreira. Sempre foi muito saudável e ativo. Participou em muitas missões internacionais, onde esteve em inúmeras situações de conflito o que lhe deixou muito apto para lidar com o stress.
Em 2014, durante uma missão no Afeganistão começou a sentir-se menos apto. Estava bem, mas um pouco maldisposto. Assim que regressou a Portugal marcou uma consulta para ver o que se passava e foi aí que recebeu a notícia, de que algo não estava bem com os seus intestinos. Coincidentemente a partir dessa altura, Paulo começou a sofrer. Depois de uma bateria de exames soube que tinha um tumor na zona baixa do intestino grosso. A única solução seria ser operado e desde o início já lhe disseram que ficaria com o saco permanentemente.
Foi uma fase muito complicada. Ter restrições físicas não fazia parte da sua personalidade, um homem da força aérea, ativo, sempre saudável, de repente via-se ‘preso’ a um saco 24h por dia. Paulo ficou muito chateado e desmotivado. Relata que não chegou a estar deprimido porque já tinha vivido tantas situações de conflito na sua vida profissional, que sabia que tinha ferramentas para ultrapassar a situação em que se encontrava, mas ficou muito surpreso e triste com a notícia. O seu psicológico ficou realmente abalado.

Após várias sessões de quimioterapia e radioterapia foi submetido a uma operação e, quando acordou, tal e qual como lhe haviam prometido, acordou com o saco agarrado ao seu lado esquerdo do abdómen. Esteve hospitalizado bastante tempo, mais do que era normal, pois apresentou inúmeras complicações.
Com o passar do tempo, Paulo diz que passou a perceber que o saco estava ali para lhe dar apoio e não para lhe dificultar a sua vida. As complicações foram sendo solucionadas e as feridas, mesmo que lentamente, começaram a cicatrizar com o auxílio de câmaras hiperbáricas. Paulo diz que percebeu que de todos os problemas que tinha, nenhum deles estava relacionado com o saco, e que eram todos "situações colaterais". Disse também que passou a focar-se num único objetivo, que era o saco funcionar bem.
Mais a frente, já com o corpo mais adaptado, alega que sentiu que não havia nenhuma restrição, que tinha uma vida perfeitamente normal. Diz que as enfermeiras do Hospital Curry Cabral lhe ensinaram técnicas, inclusive a de irrigação, que lhe ajudam muito e tudo começou a correr muito bem.

Paulo

Durante a sua carreira, Paulo tinha o hábito de desenhar e escrever num diário as suas missões para guardar as suas memórias operacionais. Após a cirurgia, como já havia atingido o grau máximo da sua carreira, passou a uma situação de reserva, para dar lugar aos mais novos, e começou a escrever livros com o conteúdo de seus diários. Ele escreve-os em Português e Inglês, contando as lições de vida que aprendeu em operações militares, porque, como ele própria afirma: "No nosso dia-a-dia, quanto mais se vive mais se aprende; mas na aviação militar quanto mais se aprende mais se vive!" Para a sua felicidade, recentemente os veteranos das Forças Armadas Americanas selecionaram uma de suas histórias para adaptar para um musical que já está a ser trabalhado. Paulo também tem um blog, onde publica as suas histórias e os seus desenhos de missão, chamado “The Peacekeeper”.
Sente-se normal, muito saudável, diz que se arrepende de se ter reformado e pensa em começar uma nova carreira pois já nem se lembra que tem um saco.
Atualmente comprou uma bicicleta e todos os equipamentos para voltar a fazer exercício físico.
Para aqueles que acabaram de descobrir diagnóstico similar ele diz: "Não se admirem se sentirem deprimidos no início, porque realmente é um choque emocional muito grande, mas levem isso como uma sensação temporária, porque rapidamente a coisa vai correr bem e depois não haverá grandes problemas, inclusivamente em termos de roupas. Eu achava que teria de mudar o enxoval todo, nem por isso, quando o organismo volta outra vez a ir ao sítio, pronto, lá estou eu e visto a roupa que sempre vesti. Realmente eu não me sinto um debilitado."

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Eleutério

Eleutério

Australiano, Canadiano e Português. Adora conhecer novos lugares. Conheça a história do Eleutério
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Eleutério, urostomizado há 2 anos

Eleutério
Eleutério nasceu na Austrália, foi criado em Timor e aos 15 anos veio para o Ocidente. Além de australiano tem também cidadania portuguesa e canadiana. Estudou Engenharia Mecânica e especializou-se em construção de refinarias, petroquímicas, tubagens, bombas, estruturas, e enquanto conta a sua trajetória ri-se e diz que lidava com tubos relativamente pequenos, com apenas 4,5 metros de diâmetro.
A sua vida sempre foi na área da construção, onde somou 40 anos de trabalho. Trabalhou numa empresa americana e viajou pelo mundo inteiro realizando diversos projetos. Conheceu lugares como Austrália, África do Sul, Tailândia, Arábia Saudita, Indonésia, Canadá, entre outros. A sua esposa, a Dona Isabel, diz com um olhar alegre e saudoso, que era paga para estar em férias.
Em 2008 atingiu a idade da reforma e reformou-se. Decidiu ir “curtir a vida” com a sua esposa, quando já tinham cinco netos e dois filhos, e tendo em conta que um dos filhos vive na América do Norte, eles passaram a dividir-se entre Portugal e o Canadá.

Há 3 anos começou a sentir muitas dores e foi diagnosticado com cancro na bexiga. Fez tratamentos de quimioterapia, emagreceu muito e sentia muitas dores. O seu sistema imunitário ficou muito debilitado e Eleutério ficou sem forças para aguentar as sessões de quimioterapia; foi então que os médicos decidiram fazer a operação e retirar a bexiga.
O começo foi muito difícil: do dia para a noite deixou de ter bexiga, mas em contrapartida já não tinha mais dores. Além de se adaptar à sua nova realidade e aceitar o estoma, um dos seus maiores desafios foi obter informações e saber exatamente o que tinha que fazer. Sofria acidentes noturnos (e diurnos), o que era muito difícil. Eleutério conta que foi operado num serviço em que as enfermeiras não eram especialistas em estomaterapia e então, por mais boa vontade que tivessem, ele sentia falta de informação especializada.

Eleutério conta que encontrou ajuda no programa de apoio aos utentes da Coloplast, o Programa Care, e diz que foi então que foi direcionado para um serviço de consultas especializadas em estomaterapia, com enfermeiras estomaterapeutas onde ele recebeu orientação, dicas super importantes e foi quando conseguiu voltar a uma vida mais próxima do normal. Ele e sua esposa alegam que o pior já passou, já convivem com a urostomia há dois anos e são gratos por já não sentir mais dores.
Hoje Eleutério diz que gosta muito de estar com os netos e de fazer caminhadas no jardim. Para aqueles que acabaram de descobrir o diagnóstico, ele diz que com muita força de vontade adaptou-se e que é muito bom continuar vivo e sem dores.

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Rafael

Rafael

Nascido e ostomizado em maio de 2019, esperto, alegre e muito forte. Conheça a história do Rafael
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Rafael, colostomizado há 1 ano e meio

Rafael
Nascido a 31 de maio de 2019, Rafael veio de uma gravidez praticamente normal. A sua mãe diz que sentia muitos enjoos e que tudo o que lhe disseram depois de uma ecografia, foi que ele tinha o úmero e fémur pequenos e que havia uma dilatação no canal que liga o rim à bexiga. Por esses motivos, disseram que ele nasceria prematuro.
Foi na madrugada do dia do seu nascimento que o Rafael teve o diagnóstico de uma má formação no sistema digestivo. Os seus pais só puderam estar apenas 5 minutos com ele, porque de seguida, a equipa médica levou-o, e apenas voltaram a ter contacto com o Rafael pelas 12 horas do dia seguinte. Foi nesta altura que foram informados que o Rafael iria necessitar de uma cirurgia de construção de estoma e que os médicos estariam desconfiados que teria Trissomia 21.
Horas passaram e os pais de Rafael só o voltaram a ver pelas 01h30 da manhã do dia seguinte, depois da cirurgia. Foi nesta altura que foram informados que teria havido complicações durante a operação, nomeadamente que ao colocarem um cateter terá ido ar para os pulmões, e que por essa razão, a cirurgia terá demorado um pouco mais do que o previsto.

Rafael

Rafael é uma criança muito forte e ao fim de uma semana já estava muito melhor. No próprio hospital, os seus pais tiveram formação sobre como cuidar do seu estoma: durante uma semana puderam ganhar experiência, aprender a dar banho e a trocar os sacos.
No início foi difícil, mas aceitaram a ideia e se adaptaram. Depois da alta médica, os pais do Rafael, tiveram muitos problemas para encontrar os materiais. Não havia muitos produtos pediátricos e sentiram muita falta de informação, pois o Rafael ficou internado no serviço neonatal, e como a estomaterapia é muito específica, eles não receberam muitas informações sobre como conseguir as receitas médicas dos produtos, quais as farmácias que vendiam produtos pediátrico, etc.

Com o passar do tempo a família encontrou o seu caminho e adaptaram-se ao seu novo normal.
Rafael é uma criança alegre, carismática e faz a sua vida normalmente: tem as suas consultas, já se senta sozinho e, o mais importante é que o seu estoma não interfere com o seu dia-a-dia. Segundo os seus pais, o facto de Rafael ter uma vida normal gera-lhes “mais trabalho”, pois como é uma criança muito ativa, muitas vezes o seu dispositivo acaba por descolar. Rafael é uma criança feliz.

O estoma de Rafael é temporário e a sua cirurgia de encerramento do seu estoma estava prevista para quando ele atingisse um ano e por volta de 10kg, entretanto com o surgimento do Covid-19, o procedimento teve de ser adiado.
Atualmente o Rafael aguarda as coisas se normalizem para fazer a cirurgia de encerramento do seu estoma.

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Rui

Rui

Director comercial reformado. A sua maior paixão é a sua mota e adora paisagens inéditas. Conheça a história do Rui
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Rui, ileostomizado há 9 anos

Rui
Rui, casado há 25 anos, pai de duas filhas: uma de 25 e outra de 14 anos. Em 2011, aos 45 anos, Diretor Comercial, no auge de sua carreira profissional começou a sentir muitas dores e ter inúmeros episódios de desconforto intestinal. Foram muitas idas ao hospital, diarreias, perda agressiva de peso e muito mal-estar. Sentir-se mal já era comum na sua vida. Ninguém sabia o que ele tinha, visto que o seu diagnóstico era inconclusivo. Davam-lhe medicação e mandavam-no para casa, até que chegou ao hospital num estado tão lastimoso que teve de ser internado.
Foi aí que começou a fase mais difícil: na primeira vez que foi internado, Rui ficou no hospital cerca de 28 dias, e na segunda, 17. Esteve em isolamento devido a uma bactéria hospitalar, e mesmo depois de já ter retirado o intestino grosso, ainda ninguém sabia o que Rui tinha. Ao fim de vários exames uma estagiária que estava a fazer a sua tese fez o diagnóstico: doença de crohn. Foi então que Rui passou por uma cirurgia que correu muito mal e foi transferido para o Hospital São José, já sem muita esperança. Na altura os médicos disseram à sua esposa que já não havia hipótese de sobreviver. O seu caso era muito complicado e esteve perto de ter as máquinas desligadas.

Rui relata com emoção que foi um médico do Hospital São José que lhe devolveu a vida. Milagrosamente a sua saúde foi melhorando aos poucos. Durante os 10 meses em que esteve internado, foram feitas diversas cirurgias, inclusive a construção de uma ileostomia definitiva. Rui teve de reaprender a andar, falar, escrever, e segundo as suas próprias palavras “a fazer tudo de novo”.
Com o passar do tempo Rui adaptou-se à sua nova realidade e começou a sentir-se melhor. Contou com o apoio e com o amor da sua família, onde diz que foi onde encontrou forças enquanto estava no hospital. Segundo Rui, por pior que que se sentisse, quando recebia a visita das suas filhas punha um sorriso no rosto, porque queria aproveitar ao máximo o seu tempo com elas. Quando elas saiam da sala, Rui desabava e chorava… estar no hospital sem poder estar com elas era muito duro para ele, mas enquanto estavam juntos, Rui esforçava-se muito par ser uma boa companhia.

Hoje, 9 anos depois do início de uma nova e inesperada vida, Rui já se adaptou, reformou e é feliz. No dia da sua entrevista pediu-nos para fazê-la de manhã, pois é o momento do dia em que se sente mais bem-disposto. Faz questão de levar a filha mais nova à escola, passeia de mota e diz que faz questão de sair todos os dias, nem que seja apenas para uma caminhada curta. Diz que a sua maior paixão é a mota.
Aprendeu a alimentar-se de forma a evitar alimentos que aumentam a atividade intestinal, mas admite com humor que às vezes faz asneiras, como por exemplo beber café.
Para aqueles que descobriram a doença recentemente, ele diz “para nunca desistirem e para deixarem a ansiedade de lado. Que se esforcem para sair, para não ficarem casa, para irem apanhar ar, ganhar energia e coragem para enfrentar a nova realidade”.
Rui terminou a sua entrevista a dizer que nunca expôs a sua história tão abertamente, mas que a ideia de ajudar outras pessoas a enfrentarem tudo isto da melhor forma possível o motivou a fazê-lo.

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Simone

Simone

Supervisora de uma bomba de gasolina, corajosa e forte. A sua maior paixão é a filha. Conheça a história da Simone
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Simone, colostomizada há 4 meses

Simone
Em abril de 2018, Simone tinha uma filha de um ano e trabalhava como supervisora de uma bomba de gasolina quando começou a sentir que algo não estava bem. Mais de um ano e meio depois, em novembro de 2019, já sentia “dores de morte”, como define com as suas próprias palavras. Nesta altura, ainda tinha um diagnóstico inconclusivo.
Fez uma bateria de exames pois era óbvio que algo não estava bem consigo e, após fazer uma colonoscopia de emergência, foi diagnosticada em dezembro de 2019 com um cancro de 7 centímetros no intestino, mais concretamente no recto.
Começou a fazer tratamentos no IPO de Lisboa e os meses seguintes foram preenchidos com tratamento de radio e quimioterapia. Em junho de 2020 fez a cirurgia de remoção do cancro e construção do estoma.

A vida de Simone virou de cabeça para o ar, num dos momentos mais difíceis da sua vida. Parou de trabalhar, não encontrou o apoio que necessitava no seu companheiro, separou-se, e teve de parar tudo e colocar a sua saúde em primeiro lugar.
Além das dores muito fortes, o que mais lhe preocupava antes da cirurgia era a ideia de ter um saco, Simone diz que não aceitava de jeito nenhum. Ao acordar da cirurgia, a primeira coisa que fez foi colocar a mão na sua barriga e verificar a presença do saco, de seguida tirou uma fotografia para verificar como estava.
Hoje diz que se preocupou tanto com isso, mas que o mais difícil foi o pós-operatório, pois o saco é “passe livre” para deixar de ter dores. Simone foi-se adaptando aos poucos, mas sempre foi muito autónoma, fala com orgulho que quando saiu do hospital já fazia o seu autocuidado. Simone diz com força: “se não fosse o saco, era a morte, então eu fico com o saco”.

Quando questionada sobre onde encontra forças para ultrapassar todos os obstáculos, Simone diz que não consegue lidar com a ideia de não acompanhar a vida da filha e que isso a fortalece ainda mais.
Sabe das dificuldades que passou, e que passa todos os dias, mas tem muito orgulho do seu percurso. Mantém-se firme, alegre e cheia de sonhos. Quer acompanhar o desenvolvimento da filha, tem o objetivo de fazer voluntariado e já tem uma página no Facebook onde conta a sua história com o seu saco: “Eu, o saquinho e a VIDA”.
Para aqueles que acabaram de ser diagnosticados, Simone diz para que “não percam a força e bola para frente, se temos esta missão é para cumpri-la, para chegar até o fim”.

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Orlando

Orlando

Explorador da natureza, apaixonado por descobrir novos destinos. Conheça a história do Orlando
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Orlando, colostomizado há 1 ano

Orlando
Explorador da natureza e um grande apaixonado por descobrir novos destinos. Sempre teve o hábito de viajar pelo mundo com a sua “Caravela” (nome que deu à sua caravana). A cada novo lugar que visita, Orlando tem o privilégio de estar sempre acompanhado com a sua mulher, visto que é a pessoa que mais apoio lhe deu em toda a sua vida. Por essa mesma razão Orlando fez questão que a sua foto para calendário Coloplast fosse tirada ao lado da sua companheira.
A história do Orlando tem início como tantas outras que conhecemos. Começou por realizar alguns exames, não por sentir desconforto, mas sim porque notou algumas irregularidades. Feito o exame (colonoscopia), foi lhe diagnosticado um cancro dos intestinos: algo para o qual não estava nada preparado.

Durante a nossa conversa, Orlando acabou por se emocionar ao afirmar que foi assim que tanto ele como a mulher ficaram ocorrentes da situação delicada em que se encontravam. Inicialmente foram tempos bastante angustiantes, onde admitiu a importância que a família e os amigos tiveram, para que conseguisse encarar um dia de cada vez e sempre de forma positiva.
No dia seguinte ao exame que o diagnosticou (colonoscopia), Orlando contactou diretamente um dos seus médicos mais chegados, para que fosse iniciado o planeamento da sua operação, com a maior brevidade possível. Numa primeira fase realizou várias sessões de quimioterapia, e como se não bastasse, após mais alguns exames, foram detetadas metáteses do seu cancro noutros locais.
Após esta última intervenção, voltou mais uma vez para os tratamentos de quimio e radioterapia. A localização do tumor, fez com que houvesse a necessidade de uma cirurgia para a construção do estoma. A operação acabou por correr como esperada, e neste momento o Orlando encontra-se em recuperação há mais de um ano.

Mesmo durante os tratamentos, o Orlando nunca deixou que a sua Caravela ficasse muito tempo parada, porque é nela que encontra um dos grandes caminhos para a felicidade. Sempre na companhia da sua mulher, e embora se tenha visto mais condicionado, Orlando acredita que os passeios são uma das principais fontes de energia positiva.
Nos dias de hoje, divide o seu tempo entre as suas viagens maravilhosas, os filhos e os netos. Vive cada um dos seus dias ao máximo, ainda com grandes perspetivas de vida, pois acredita que a tristeza e a introversão não ajudam em nada naquilo que é a vontade de viver e ser feliz.

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Antonieta

Antonieta

Cozinheira reformada, apaixonada pelo mar e por cozinhar para os seus netos. Conheça a história da Antonieta
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Antonieta, colostomizada há 11 anos

Antonieta
A Antonieta tinha uma vida que muitos diriam ser normal. Com 62 anos era casada, tinha uma filha, dois netos e trabalhava como cozinheira na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cozinhando diariamente para mais de 300 pessoas. Num certo dia sentiu-se maldisposta, com pouca força, adoentada, com um incómodo na barriga e decidiu consultar um médico. Foi direcionada para especialistas, fez análises e logo veio o diagnóstico… tumor no cólon. A cirurgia foi marcada rapidamente e Antonieta fez a cirurgia de construção do estoma. Relata que foi um período muito difícil, que não estava à espera de repente ter que lidar com a ideia da mudança total de vida, com “uma coisa diferente no corpo”. Lidar com um estoma, mudar a sua rotina… imaginava que não teria as mesmas capacidades e reformou-se por invalidez. Diz que teve uma recuperação muito complicada e teve de criar recursos emocionais para passar por isso, pois além do desafio emocional, teve muita dificuldade para encontrar produtos que respondessem bem ao seu corpo. Alega que tentou inúmeras marcas, diferentes modelos, mas que teve imensas complicações. No fim, diz com gratidão que os produtos da Coloplast lhe trouxeram saúde (uma vez que não fazia mais alergias), segurança e qualidade de vida.
No seu discurso agradece muito ao cirurgião Dr. Paulino e diz que este lhe salvou a vida, às enfermeiras da consulta de estomaterapia do Hospital Curry Cabral, as quais diz serem muito boas e carinhosas, pois têm como lema de vida elevar a qualidade de vida do doente, e à filha que sempre lhe deu apoio incondicional.

Nove anos passaram e Antonieta já estava completamente adaptada quando teve que ser operada uma vez mais por causa de uma hérnia. Como resultado ficou com duas fístulas, e uma situação muito complicada. Antonieta diz que tinha um “buraco” na barriga gigantesco, e que chegava a utilizar 6 bisnagas de pasta para preencher todo o local. Mais uma vez teve de desenvolver recursos emocionais para lidar com uma situação tão difícil. Lembra-se com emoção de um momento marcante que viveu durante o último internamento. Houve um dia em que, quando uma enfermeira lhe foi fazer o penso, viu que estava tão suja por causa das fístulas que a embrulhou numa manta e levou-a à casa de banho para lhe dar banho, pois não era possível apenas limpar. Deu-lhe banho, sentou-a num banquinho e ela teve, pela primeira vez, a oportunidade de ver a sua própria barriga. Diz que o seu “buraco” na barriga era tão grande que cabia ali o seu braço. Quando viu aquilo ficou em pânico, sentiu-se mal, só conseguia pensar que nunca mais teria a sua barriga em condições, que nada poderia ser feito para fechar aquele “buraco”. Conta que ficou tão triste e pediu desesperadamente para voltar à cama pois não tinha condições para ver aquilo. Sentia-se perdida. A enfermeira nitidamente preocupada, deitou-a na cama e fez o penso o mais rápido possível. Antonieta ficou muito mal, perdeu o apetite, não esperava que estivesse tão “feio” e os dias seguintes foram muito tristes. Relata que caiu no fundo. Naquele momento, achava que já não tinha mais vida.

Depois de cair, Antonieta decidiu levantar-se. Diz que pensou para si mesma: “Antonieta, não podes ser assim, não podes ficar aqui parada e morta, tens de viver”, pediu ajuda a Deus e relata que a recebeu. Começou a melhorar, ficou mais ativa, procurou não se incomodar tanto com a situação - que era grave - e decidiu acreditar sempre que ia vencer! E assim foi, com muita vontade de viver, viveu um dia de cada vez e foi melhorando pouco a pouco. Teve alta, recebeu apoio das enfermeiras, da família e principalmente da filha e mais uma vez saiu vitoriosa.
Hoje, com 76 anos, Antonieta vive a vida que deseja viver: vai às compras, borda, faz renda, vai à missa, faz trabalho voluntário, cuida e participa na vida dos netos (que são o seu grande amor), cozinha, sai com as amigas… e é apaixonada por café! Uma das coisas que mais gosta de fazer é sentar-se num café e conversar. Diz que há dias em que está triste, mas que não se deixa abater muito tempo, porque apesar de haver as nuvens do céu, Antonieta diz querer aproveitar todos os raios de sol.

Para aqueles que vão fazer a cirurgia agora, Antonieta diz: “Não se deixem ficar parados, tentem vencer, nós somos capazes de tudo, de vencer tudo, só é preciso ter força!”

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Florbela

Florbela

Cozinheira reformada, aventureira e ativa. Frequenta o ginásio e adora piscinas. Conheça a história da Florbela
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Florbela, colostomizada há 2 anos

Antonieta
Podemos afirmar que a história da Florbela é um exemplo muito bom dos benefícios de uma prevenção e rastreios habituais. Na verdade, Florbela afirma que não tinha qualquer sinal ou sintoma da doença. No entanto, por norma quando entrava de férias, realizava análises anuais, de modo a garantir que tudo estava bem consigo. Este pequeno grande hábito pode ter-lhe salvo a vida.
Numa altura em que diz que foi a que se sentia melhor, ao realizar uma destas análises, a médica perguntou se alguma vez tinha realizado um rastreio ao cólon. Nunca o tinha feito. Esta pequena questão foi a sua sorte. Ao realizar a sua primeira colonoscopia, e ainda antes dos resultados laboratoriais serem emitidos, foi-lhe comunicado que tinha um tumor maligno. Foi de imediato encaminhada para a sua médica de família, para que iniciasse todos os procedimentos o quanto antes. Os primeiros dias foram muito complicados, principalmente ao pensar no filho, com receio de o deixar sozinho. Porém, ao longo das diversas consultas que foi tendo, foi ganhando coragem para seguir em frente com os tratamentos. Houve também uma força adicional, dada pelo seu companheiro, com quem está desde 2007.

Conseguiu superar assim todo o processo, resultando no desaparecimento do tumor. Ainda assim, 6 meses depois teve que ser operada. Foi aqui que soube que teria que ficar com um estoma definitivo. Por momentos acreditou que seria possível não ser sujeita a uma ostomia, no entanto, na última consulta, a sua médica informou-a que teria mesmo que seguir com a cirurgia. Na altura em que recebeu a notícia que na sua realidade passaria a contar com um saco de ostomia, ficou bastante triste. No entanto aceitou e na semana seguinte, já era uma pessoa completamente diferente.

Hoje faz tudo ou quase tudo. Gosta de ir ao ginásio, por iniciativa do filho, pessoa que sempre foi a sua força principal, e de fazer as aulas de hidroginástica. Antes da sua doença era cozinheira, chegando a cozinhar para mais de mil pessoas. No entanto, o saco impede alguns movimentos essenciais às atividades que exercia, tanto que hoje em dia é reformada. Dá muito valor ao tempo com a sua família e amigos, e inclusive afirma que hoje vê a vida com outros olhos. De resto faz tudo, e de longe se sente inferior. Não se importa com quem olha para si e para o seu estoma. .

A sua mensagem para quem acabou de descobrir um problema semelhante é que devemos ter “esperança”, “ser positivos” e “que a vida é tão boa que temos é que nos agarrar à vida. O melhor é vivermos os pequenos momentos com intensidade”.

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Calendário Coloplast 2020

Calendário Coloplast 2020 - Emília

Emília

"Não é a vida que se adapta a nós mas nós à vida... Se queremos viver felizes."

Calendário Coloplast 2020 - Maria Fernanda

Maria Fernanda

“Por ser ostomizada não deixei de fazer o que mais gosto."

Calendário Coloplast 2020 - Manuel Maria

Manuel Maria

"Força de Vontade."

Calendário Coloplast 2020 - Eduardo

Eduardo

"Todos na vida enfrentamos obstáculos e percalços, a ostomia não nos impede de levar uma vida normal. Vivam e sejam felizes."

Calendário Coloplast 2020 - Catarina

Catarina

"Atravesso a vida com a certeza de que existe sempre uma boa razão e um lado bom para tudo o que nos acontece."

 Calendário Coloplast 2020 - Ernesto

Ernesto

"Que Nossa Senhora nos Ajude."

Calendário Coloplast 2020 - Isabel Holbeche

Isabel Holbeche

"'Cancro não é uma doença mas um mecanismo de cura.' - Andreas Moritz"

Calendário Coloplast 2020 - Isabel Maria

Isabel Maria

"O estoma não me impediu de continuar a fazer as minhas caminhadas."

Calendário Coloplast 2020 - Rui

Rui

"Regresso a uma vida normal."

Calendário Coloplast 2020 - Manuel

Manuel

"Encarando a vida com coragem e viver um dia de cada vez."

Calendário Coloplast 2020 - Amélia

Amélia

"Sou uma felizarda, a vida tem sido muito generosa."

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