Calendário Coloplast: histórias de vida que nos inspiram
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Calendário Coloplast

Conheça as histórias das 12 pessoas que dão vida ao Calendário Coloplast de 2021. São 12 pessoas reais. 12 histórias reais que partilharemos consigo ao longo do ano.

Todos os meses sai uma história nova, fique atento!
Eleutério

Eleutério

Australiano, Canadiano e Português. Adora conhecer novos lugares. Conheça a história do Eleutério
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Eleutério, urostomizado há 2 anos

Paulo
Eleutério nasceu na Austrália, foi criado em Timor e aos 15 anos veio para o Ocidente. Além de australiano tem também cidadania portuguesa e canadiana. Estudou Engenharia Mecânica e especializou-se em construção de refinarias, petroquímicas, tubagens, bombas, estruturas, e enquanto conta a sua trajetória ri-se e diz que lidava com tubos relativamente pequenos, com apenas 4,5 metros de diâmetro.
A sua vida sempre foi na área da construção, onde somou 40 anos de trabalho. Trabalhou numa empresa americana e viajou pelo mundo inteiro realizando diversos projetos. Conheceu lugares como Austrália, África do Sul, Tailândia, Arábia Saudita, Indonésia, Canadá, entre outros. A sua esposa, a Dona Isabel, diz com um olhar alegre e saudoso, que era paga para estar em férias.
Em 2008 atingiu a idade da reforma e reformou-se. Decidiu ir “curtir a vida” com a sua esposa, quando já tinham cinco netos e dois filhos, e tendo em conta que um dos filhos vive na América do Norte, eles passaram a dividir-se entre Portugal e o Canadá.

Há 3 anos começou a sentir muitas dores e foi diagnosticado com cancro na bexiga. Fez tratamentos de quimioterapia, emagreceu muito e sentia muitas dores. O seu sistema imunitário ficou muito debilitado e Eleutério ficou sem forças para aguentar as sessões de quimioterapia; foi então que os médicos decidiram fazer a operação e retirar a bexiga.
O começo foi muito difícil: do dia para a noite deixou de ter bexiga, mas em contrapartida já não tinha mais dores. Além de se adaptar à sua nova realidade e aceitar o estoma, um dos seus maiores desafios foi obter informações e saber exatamente o que tinha que fazer. Sofria acidentes noturnos (e diurnos), o que era muito difícil. Eleutério conta que foi operado num serviço em que as enfermeiras não eram especialistas em estomaterapia e então, por mais boa vontade que tivessem, ele sentia falta de informação especializada.

Eleutério conta que encontrou ajuda no programa de apoio aos utentes da Coloplast, o Programa Care, e diz que foi então que foi direcionado para um serviço de consultas especializadas em estomaterapia, com enfermeiras estomaterapeutas onde ele recebeu orientação, dicas super importantes e foi quando conseguiu voltar a uma vida mais próxima do normal. Ele e sua esposa alegam que o pior já passou, já convivem com a urostomia há dois anos e são gratos por já não sentir mais dores.
Hoje Eleutério diz que gosta muito de estar com os netos e de fazer caminhadas no jardim. Para aqueles que acabaram de descobrir o diagnóstico, ele diz que com muita força de vontade adaptou-se e que é muito bom continuar vivo e sem dores.

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Paulo

Paulo

Oficial da força aérea portuguesa, apaixonado por aviões e por contar histórias. Conheça a história do Paulo
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Paulo, colostomizado há 1 ano

Paulo
Oficial da força aérea portuguesa com 39 anos de carreira. Sempre foi muito saudável e ativo. Participou em muitas missões internacionais, onde esteve em inúmeras situações de conflito o que lhe deixou muito apto para lidar com o stress.
Em 2014, durante uma missão no Afeganistão começou a sentir-se menos apto. Estava bem, mas um pouco maldisposto. Assim que regressou a Portugal marcou uma consulta para ver o que se passava e foi aí que recebeu a notícia, de que algo não estava bem com os seus intestinos. Coincidentemente a partir dessa altura, Paulo começou a sofrer. Depois de uma bateria de exames soube que tinha um tumor na zona baixa do intestino grosso. A única solução seria ser operado e desde o início já lhe disseram que ficaria com o saco permanentemente.
Foi uma fase muito complicada. Ter restrições físicas não fazia parte da sua personalidade, um homem da força aérea, ativo, sempre saudável, de repente via-se ‘preso’ a um saco 24h por dia. Paulo ficou muito chateado e desmotivado. Relata que não chegou a estar deprimido porque já tinha vivido tantas situações de conflito na sua vida profissional, que sabia que tinha ferramentas para ultrapassar a situação em que se encontrava, mas ficou muito surpreso e triste com a notícia. O seu psicológico ficou realmente abalado.

Após várias sessões de quimioterapia e radioterapia foi submetido a uma operação e, quando acordou, tal e qual como lhe haviam prometido, acordou com o saco agarrado ao seu lado esquerdo do abdómen. Esteve hospitalizado bastante tempo, mais do que era normal, pois apresentou inúmeras complicações.
Com o passar do tempo, Paulo diz que passou a perceber que o saco estava ali para lhe dar apoio e não para lhe dificultar a sua vida. As complicações foram sendo solucionadas e as feridas, mesmo que lentamente, começaram a cicatrizar com o auxílio de câmaras hiperbáricas. Paulo diz que percebeu que de todos os problemas que tinha, nenhum deles estava relacionado com o saco, e que eram todos "situações colaterais". Disse também que passou a focar-se num único objetivo, que era o saco funcionar bem.
Mais a frente, já com o corpo mais adaptado, alega que sentiu que não havia nenhuma restrição, que tinha uma vida perfeitamente normal. Diz que as enfermeiras do Hospital Curry Cabral lhe ensinaram técnicas, inclusive a de irrigação, que lhe ajudam muito e tudo começou a correr muito bem.

PauloDurante a sua carreira, Paulo tinha o hábito de desenhar e escrever num diário as suas missões para guardar as suas memórias operacionais. Após a cirurgia, como já havia atingido o grau máximo da sua carreira, passou a uma situação de reserva, para dar lugar aos mais novos, e começou a escrever livros com o conteúdo de seus diários. Ele escreve-os em Português e Inglês, contando as lições de vida que aprendeu em operações militares, porque, como ele própria afirma: "No nosso dia-a-dia, quanto mais se vive mais se aprende; mas na aviação militar quanto mais se aprende mais se vive!" Para a sua felicidade, recentemente os veteranos das Forças Armadas Americanas selecionaram uma de suas histórias para adaptar para um musical que já está a ser trabalhado. Paulo também tem um blog, onde publica as suas histórias e os seus desenhos de missão, chamado “The Peacekeeper”.
Sente-se normal, muito saudável, diz que se arrepende de se ter reformado e pensa em começar uma nova carreira pois já nem se lembra que tem um saco.
Atualmente comprou uma bicicleta e todos os equipamentos para voltar a fazer exercício físico.
Para aqueles que acabaram de descobrir diagnóstico similar ele diz: "Não se admirem se sentirem deprimidos no início, porque realmente é um choque emocional muito grande, mas levem isso como uma sensação temporária, porque rapidamente a coisa vai correr bem e depois não haverá grandes problemas, inclusivamente em termos de roupas. Eu achava que teria de mudar o enxoval todo, nem por isso, quando o organismo volta outra vez a ir ao sítio, pronto, lá estou eu e visto a roupa que sempre vesti. Realmente eu não me sinto um debilitado."

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David

David

Agricultor reformado, apaixonado pela sua quinta, animais e plantações. Conheça a história do David
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David, ileostomizado há 2 anos

David
Aos 37 anos David começou a sentir os primeiros sintomas, começou a sentir dores abdominais e decidiu ir ao médico. Foi até Leiria que era o centro de saúde mais próximo. Realizou exames e recebeu um diagnóstico que nas palavras do médico era “muito mau”. Relata que na imagem do exame tinham “dois ovos”, expressão que utiliza quando se refere aos pólipos.
David diz que os sintomas não eram muito severos, tinha certas dores, mas nada muito forte, o que lhe chamou atenção foi o sangue. Em menos de um mês foi internado e realizou uma operação onde retirou todo o intestino grosso e fez uma ligação do duodeno ao reto.

David passou dois anos sem conseguir ter uma vida normal. Alega que precisou desse tempo para se recuperar, pois diz que não conseguia dormir mais do que duas horas e que passou cerca de sensivelmente um ano a dormir sentado (era esta a única posição em que o intestino não exercia pressão).
Depois desse tempo voltou a trabalhar como motosserrista. Para continuar a trabalhar, David utilizava cintas e fazia análises de seis em seis meses, onde começou a constatar que na parte que ainda lhe restava do intestino, continuava a criar pólipos.
Em maio de 2018 teve um acidente no trabalho e teve de ser submetido a uma cirurgia. Logo após essa cirurgia passou a ter dores muito fortes na barriga e foi diagnosticado com cancro. Em outubro de 2018 teve de fazer a cirurgia de construção do estoma e em maio de 2019, outra. David passou 40 dias internado e é Ileo e Urostomizado.

Hoje David tem 62 anos. Vive bem, sem dores, mora sozinho, é independente e lida com suas duas ostomias com humor e tranquilidade. Diz que encontrou forças na sua cabeça, e na sua força de vontade, para viver. É super ativo, e como ele mesmo diz "só está em casa por causa da pandemia" - por que por ele estaria sempre na rua. Não se isola e vive a sua vida normalmente. Quando está em casa também não fica parado, tem criação de ovelhas, galinhas e outros animais que o entretêm.

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Karla

Karla

Fotógrafa, colecionadora de histórias e apaixonada por museus. Conheça a história da Karla
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Karla, ileostomizada há 1 ano

Karla
Aos 17 anos apareceu-lhe uma doença muito desconfortável e que não se sabia o que era. Mais tarde veio a descobrir-se que se tratava da Doença de Crohn.
Como era a altura em que se preparava para entrar na faculdade, Karla não conseguiu entrar devido à elevada frequência de internamentos a que fora submetida, mas isto não foi tão mau quanto imaginava, pois percebeu que afinal não gostava nada de ciências (que seria o que imaginava seguir). Karla pensou que escrevia bem e como adorava ler, percebeu que humanidades tinha mais a ver com ela.
No meio das dúvidas em relação às suas aptidões e ao seu difícil diagnóstico, decidiu fazer uma viagem e disse que não voltava antes de saber o que queria fazer em relação à sua vida profissional. Karla deu a volta à Grã Bretanha e decidiu que se dedicaria à fotografia, a sua antiga paixão.

É impossível contar a história da Karla sem falar de fotografia. A fotografia sempre foi uma paixão. O seu pai e o avô eram fotógrafos amadores e Karla herdava as máquinas antigas do seu pai, à medida que ele as ia trocando. Karla estudou e passou a ser fotógrafa, dividindo-se entre a fotografia, hospitais e cirurgias.
Foi nesta altura que os médicos lhe disseram que não teria muito tempo de vida e que não chegaria sequer aos 30 anos. Karla vivia cada dia como se fosse o último, e cada cirurgia que fazia sentia que seria a última.
Aos poucos as coisas foram melhorando e percebeu que teria de conviver com a doença. Chegaram os 30, os 40 e os 50. Cirurgia após cirurgia para retirar mais um pouco do intestino, Karla percebeu que o que queria era mesmo fotografar. Encontrou forças no trabalho, mais concretamente na fotografia, e segundo ela, desde que esteja a trabalhar já não pensa em mais nada.

Com a evolução da doença, Karla chegou a um ponto em que sentia dores muito fortes e já não sabia o que era uma vida sem dor. Passou 3 anos em observação para ver se as dores melhoravam, se seria possível conviver com aquela doença... usava fraldas e estava completamente incontinente. Por diversas vezes estava a fotografas e teve acidentes. Estava numa desidratação enorme, fraca e sem força para nada. Até ao ponto em que o médico decidiu que a cirurgia era mesmo a melhor solução.
Em Setembro de 2019 Karla fez uma ileostomia. Quando acordou, sem dores, imaginou que estivesse no céu. Não conseguia acreditar que já não tinha mais dores. No início, o mais difícil foi a adaptação ao estoma. Depois de um tempo, Karla diz que já consegue fazer substituições muito rapidamente, e diz que até poderia participar de concursos de rapidez para trocar o saco. Como é muito ativa, está sempre preparada - e com o saco a postos. Já passou por alguns acidentes, mas conta-os sempre com um grande sorriso no rosto.

Um ano depois da cirurgia, Karla relata que é uma maravilha viver sem dores. Diz que enfrenta alguns desafios devido à sua profissão, pois como é fotógrafa tem por diversas vezes se colocar em posições difíceis, mas lida com isso com humor (às vezes negro, como ela mesma diz) e gratidão. Alega que daqui a algum tempo com certeza que se vai esquecer totalmente do saco. Diz que pensa que seria melhor ficar em casa e controlada, mas que como é muito ativa, que a sua casa ideal ideal seria uma caravana ou mesmo uma tenda.
O saco não a impede de fazer nada, só tem que se adaptar. Karla diz que teve que fazer uma escolha, lamentar-se ou lidar com a sua doença com humor, e ela, apesar de saber chorar, escolheu sorrir.

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