Conversas com Valor: partilhas de enfermeiros estomaterapeutas
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Conversas com Valor

"Conversas com Valor" é um projeto de partilha de histórias. Sabemos que existem muitos Profissionais de Saúde que fazem a diferença no seu hospital e no dia-a-dia daqueles com que lidam. Há tantas histórias de motivação, de luta e de aprendizagem que nós decidimos partilhá-las.

Faça um café, sente-se confortavelmente na sua cadeira e leia as Conversas cheias de Valor que temos para si.

Sabia também que nos pode enviar sugestões de temas e/ou de enfermeiros que gostasse de ler o seu testemunho?
Quem gostaria que participasse nas Conversas com Valor? Envie um e-mail com a sua sugestão para conversascomvalor@coloplast.com.

Graciete Cavaco

Graciete Cavaco

A enfermeira Graciete Cavaco não escolheu o seu caminho na enfermagem, foram os doentes que foi encontrando na sua prática e a sua vontade em ajudar os outros que ditaram o seu rumo na área da estomaterapia. Leia o testemunho
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Graciete Cavaco, Hospital Nossa Senhora do Rosário

Graciete Cavaco
O gosto que tem pelo que faz, em conjunto com a angústia de um dia se reformar, faz com que se entristeça por não ter alguém no seu local de trabalho que partilhe este seu “gostar” e siga os seus passos. Durante longos anos e quase sem se aperceber, contribuiu de uma forma indelével para o reconhecimento desta área da enfermagem no hospital onde desempenha as suas funções.
O estigma é muito grande, sobretudo por parte dos próprios doentes, que se isolam. Muitos não querem incomodar os médicos ou os enfermeiros, mas a enfermeira não desiste e chega a recorrer a outros meios de comunicação, fazendo até consultas por WhatsApp e já tendo realizado intercâmbios de colaboração com doentes em Moçambique através de fotografias.
Atualmente, são realizadas consultas especificas de apoio a doentes ostomizados, mas no início, isto há cerca de 30 anos, não havia nada nesta área no hospital onde trabalha. Para preencher esta lacuna, a enfermeira Graciete teve de romper barreiras, fazer formações na área, compilar conhecimento, para agora poder dizer “esta é a minha praia”.
As barreiras existiam em todo o lado: na falta de materiais adequados para os doentes, na falta de sensibilidade para ajudar e até no hospital onde trabalhava, quando a sua chefe lhe dizia que não podia gastar tanto tempo com estes doentes e que se deveria dedicar a outros afazeres, sempre disse “não ganhei dinheiro, mas senti-me sempre compensada”.
Partilha ainda que sempre sentiu que os doentes gostavam dela e que isso lhe dava forças para continuar a seguir o seu ideal.
Quando começou não havia comparticipação total nos materiais utilizados, como agora, só alguns reembolsos consoante os sistemas de saúde. Os doentes tinham de pagar a totalidade dos materiais, o que gerava motivos de grande angústia para a enfermeira na escolha dos mesmos. Em algumas situações, Graciete Cavaco teve de fundamentar e documentar os casos, para poder defender melhor os doentes. Conta especificamente o caso de um homem que morava longe do hospital e que apresentava granulomas e nódulos de inflamação na pele junto ao estoma, que causam dor intensa, semelhante a uma queimadura. Este homem não dormia fazia quatro meses, a enfermeira “abraçou” este caso, deu conhecimento aos médicos, chegando a interpelá-los no corredores e refeitório, conseguindo a sua atenção e que este doente fosse tratado. “Há coisas que não se aprendem nos livros, nem na escola e nós temos de resolver é na altura”, diz, referindo que fazia o que fosse preciso para ajudar os doentes que a procuravam. Mas, o que mais a sensibilizou neste caso foi a ida ao hospital da mulher do doente no dia seguinte para lhe agradecer e dizer que o marido tinha finalmente dormido, coisa que já não acontecia há bastante tempo.
Em 2006, chegou-lhe outro doente, que, apesar de ser ostomizado há 20 anos, usava sacos plásticos da fruta e anéis metálicos usados antigamente no IPO: mudou os materiais utilizados e deu formação ao doente para os poder utilizar de forma adequada, referindo: “Senti-me muito feliz por ter feito uma coisa muito boa. As pessoas não fazem ideia do que é o sofrimento de uma queimadura permanente e os utentes associam a dor à fatalidade da doença, têm uma doença muito grave e por isso têm muita dor, mas às vezes não é assim! O tratamento da ostomia está na nossa mão, nos materiais que há e no ensino que fazemos, nós temos de escolher o que é mais o adequado para cada doente, pois não há situações iguais.”
A determinada altura da sua vida profissional desenvolve uma forma inovadora de comunicar mensalmente com os doentes ostomizados, colocando-se no papel do estoma – “O Estoma que fala” faz recomendações como se fosse um estoma, para ajudar os doentes a ultrapassar o estigma e a comunicarem mais facilmente o que sentem.
Do seu caminho profissional fazem também parte as visitas ao domicílio, para tratar doentes que não se podem deslocar à instituição hospitalar para tratamento; faz, paralelamente, intervenções na família para que esta se mobilize alternadamente com o cuidador. “Se temos possibilidade de melhorar um bocadinho a doença, isso está na nossa mão, se há alguma coisa que podemos melhorar, tem de ser feito, pela pessoa, pelo ser humano”.
A enfermeira Graciete Cavaco dá o seu número de telefone pessoal aos doentes para estes sentirem segurança e faz questão de os ensinar no seu autocuidado, ainda que tenham alguma ajuda de familiares, para que se possam sentir mais seguros. “Sou criticada por alguns colegas de trabalho, por dar o número de telefone, mas nunca em 30 anos me lembro de ser contactada indevidamente fora do horário de trabalho, apenas duas ou três vezes ao fim de semana por situações graves”.
A enfermeira menciona ainda que gostaria que mais enfermeiros seguissem o seu exemplo, escolhendo a área da Estomaterapia, e que houvesse mais formações nesta área para aumentar o nível de conhecimento. Ainda assim, reconhece que a situação está muito melhor, pois em quase todos os hospitais já há uma consulta desta especialidade, embora os serviços ainda sejam insuficientes para satisfazer todas as necessidades destes doentes. Mas, depois de um percurso profissional dedicado a esta área de intervenção, a enfermeira Graciete Cavaco ainda tem um sonho por realizar: a criação de uma rede de apoio competente, com uma pessoa de referência em cada centro de saúde, em articulação com cada hospital, para haver uma completa orientação na Estomaterapia e ajudar os doentes.
Embora a enfermeira Graciete tenha encontrado na sua vida profissional muitos dramas pessoais e situações complicadas que exigiram toda a sua persistência e resiliência, mesmo sem as palavras precisas para explicar como se envolveu na área da Estomaterapia, não hesita em dizer: “Faria tudo de novo outra vez!”.

Faça o download do testemunho da enf.ª Graciete, clicando aqui.

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Emília Alves

Emília Alves

Há quase 30 anos que a enfermeira Emília Alves vive a estomaterapia como uma causa, a que se entrega de corpo e alma. É uma dedicação indissociável do modo como vive a profissão que escolheu e da casa que a acolhe há mais de três décadas, o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Leia o testemunho
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Emília Alves, IPO do Porto

Conversas Com Valor: Emília Alves
São muitas as memórias de um percurso profissional repleto de conquistas que revertem a favor dos doentes com respetivos ganhos em saúde. Recorda-se bem de como tudo começou, dos passos dados até se chegar à Consulta de Estomaterapia, tal como se recorda do primeiro contacto com uma pessoa portadora de ostomia e da primeira vez que lhe disseram “enfermeira, voltei a viver”.
O primeiro doente que a fez despertar para o tema era um jovem. Encarregada de o preparar para um procedimento, Emília Alves verificou que ele já tinha sido submetido a uma colostomia. Foi o doente que contou que cuidados tinha, que controlava a saída das fezes com uma lavagem intestinal, algo que era completamente novo para a enfermeira. “Não sabia do que ele estava a falar”, lembra. Não era a única. Tendo partilhado as suas dúvidas com colegas, incluindo as mais antigas, percebeu que o desconhecimento era comum. “Ninguém sabia do que ele estava a falar”. A estomaterapia, nesses dias, pouco mais era do que “mudar o saco”. “Não tínhamos mais apoio para dar ao doente”, lamenta. Até os próprios termos – estomaterapia e estomaterapeuta – estavam ausentes do vocabulário.
Uma formação em Espanha acabaria por ser o motor da mudança. Tudo o que aprendeu – diz hoje, muitos anos volvidos – foi “uma novidade muito grande”. Emília Alves regressou com vontade de abrir um Gabinete de Estomaterapia: afinal, trazia – ela e as outras enfermeiras que fizeram o curso – uma bagagem formativa que lhe dava ferramentas para atender melhor o doente. Não tem dúvidas de que o facto de passar a haver consultas de enfermagem nesta área foi “uma vitória muito grande, um grande progresso para a enfermagem”.
Desde então, muitos foram os progressos. A estomaterapia individualizou-se e especializou-se no “saber cuidar”. Emília só trabalha em Oncologia. Só isso já significa que lida com “um doente muito especial, que é o doente oncológico”. Mas, desde 2011, que no IPO Porto funciona um Gabinete de Ostomias.
E este foi certamente mais um marco na sua carreira. Mas, a diferença não veio apenas da criação de um gabinete. Também a evolução em matéria de dispositivos e acessórios tem sido determinante. Recorda que, nos primeiros tempos como estomaterapeuta, existia uma única empresa em Portugal que cedia os dispositivos para ostomia. Emília Alves conta que recomendava aos doentes que comessem uma gemada e aproveitassem a clara para aplicar na pele. Hoje, diz, a brincar, “é quase preciso um curso para conhecer os diferentes dispositivos”. Ainda assim, gostaria que fosse dado mais um passo neste caminho: que fossem as enfermeiras, a passar a receita. Afinal, são as enfermeiras que conhecem os dispositivos, estando em melhores condições para aconselhar.
Desde cedo que Emília começou a colaborar com a Liga de Ostomizados de Portugal. E foi aí que, quando tinha “20 e tal anos”, viveu mais um encontro marcante: um doente com ideias suicidas. Ficou, naturalmente, intimidada, até porque era jovem e estava sozinha, mas foi conversando com ele e conseguiu demovê-lo. Ensinou-lhe a Técnica de Irrigação e teve depois o grato prazer de ouvir pela primeira vez “Enfermeira, voltei a viver”. Desenvolveu-se mesmo uma amizade. “A enfermagem tem muito disto, é tentar conhecer melhor o doente e expor-me também como pessoa”, partilha.
O agradecimento dos doentes – alguns dos quais ainda a procuram porque se lembram do seu trabalho – é a motivação para continuar. Já cumpriu o grande objetivo de criar um gabinete especializado. Agora, é “não deixar morrer, é prosseguir cada vez mais”. Com a vantagem de que “as mentes estão mais despertas”.

Faça o download do testemunho da enf.ª Emília, clicando aqui.

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