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Calendário Coloplast 2025

Ângelo

Ângelo

“Continuo a fazer tudo igual, em vez de fazer tudo de uma vez, faço em duas ou três” Conheça a história do Ângelo
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Ângelo, Colostomia desde 2023

Um Novo Diagnóstico

Após cinco anos de remissão do cancro da bexiga, Ângelo pensou ter deixado para trás os seus maiores desafios de saúde. No entanto, em 2023, começou a sentir desconforto que inicialmente atribuiu a hemorroidas. À medida que os sintomas pioravam, acabou por sentir que devia procurar ajuda e descobriu a verdadeira causa do seu sofrimento: um tumor que obstruía o reto e uma fissura dolorosa próxima ao tumor. O diagnóstico foi claro — cancro colorretal.

Mais uma batalha para a gente ganhar, que a guerra a gente não a ganha", afirmou, com otimismo, perante a notícia de um segundo cancro.

O Processo de Tratamento

O plano de tratamento de Ângelo incluiu radioterapia e quimioterapia, mas os resultados não foram totalmente satisfatórios. Com o tumor a obstruir o reto, a cirurgia tornou-se inevitável. Em julho de 2023, Ângelo foi submetido a uma cirurgia que resultou numa colostomia, precedida por uma ileostomia que durou quase um ano. Durante esse período, Ângelo enfrentou desafios físicos e emocionais, mas manteve uma atitude positiva e proativa.

Adaptação à Nova Realidade

Ângelo teve de se adaptar à vida com uma ostomia. Surpreendentemente, conseguiu manter uma dieta variada, embora fosse necessário levantar-se várias vezes durante a noite para aliviar os gases acumulados no saco. A colostomia, para ele, foi uma melhoria em relação à ileostomia anterior, pois o estoma era menos ativo.

Determinado a não deixar que a ostomia o definisse, Ângelo continuou a cuidar do seu terreno e a podar as laranjeiras — atividades que lhe trazem paz e um sentido de normalidade. Mesmo com as cicatrizes a causarem algum desconforto, mantém-se confiante e ativo.

O Apoio da Família

A esposa de Ângelo, embora profundamente afetada emocionalmente pelo segundo diagnóstico de cancro do marido, tem sido um pilar de apoio. A filha, que se ausentou do trabalho para acompanhar o pai durante a recuperação, também desempenhou um papel crucial nesta jornada, demonstrando o forte laço familiar que os une.

A Importância da Informação e do Apoio

Antes mesmo da cirurgia, Ângelo já estava bem informado sobre os cuidados necessários para viver com uma ostomia, graças à leitura e preparação prévia. Este conhecimento foi essencial para a sua adaptação e permitiu-lhe manter um certo grau de independência nas suas rotinas diárias. Além disso, Ângelo beneficiou de ter um primo com um estoma, o que tornou a transição menos assustadora e a experiência um pouco mais natural.

Um Novo Capítulo de Resiliência

A história de Ângelo é um testemunho de força e resiliência. Enfrentar um segundo cancro não foi fácil, mas com o apoio da família e a sua determinação, Ângelo continua a viver a vida de forma plena. Ele é a prova viva de que, mesmo em face das adversidades mais difíceis, é possível encontrar motivos para seguir em frente.

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Rosa

Rosa

“Às vezes esqueço-me que tenho isto. Isto é para mim. É meu, estou viva” Conheça a história da Rosa
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Rosa, Colostomia desde 2005

Rosa Maria Costa Gonçalves nasceu a 9 de março de 1966, e é daquelas pessoas que não passam despercebidas. Com 58 anos e uma carreira como costureira, Rosa tem uma história de vida marcada pela superação. A sua jornada começou em 2005, quando, aos 38 anos, foi diagnosticada com cancro no intestino. Este diagnóstico mudou-lhe a vida, mas não lhe tirou o sorriso.

O Início de Tudo 

Era 2005 e Rosa sentia-se estranha. O desconforto abdominal tornava-se cada vez mais insuportável e a vontade de evacuar sem sucesso começava a preocupar. Em conversa com as irmãs, seguiu o conselho de comer kivi, mas a sensação de ardor no ânus não passava. Algo não estava bem. Durante umas férias em maio, a situação piorou: os vestígios de sangue tornaram-se mais frequentes. Ainda pensou que fossem hemorroidas, mas o marido, preocupado, insistiu para que procurasse ajuda médica.

E foi aí que o mundo de Rosa começou por sofrer mudanças drásticas. A colonoscopia, revelou um tumor friável, uma notícia dura, especialmente para quem, como Rosa, tinha apenas 38 anos. O médico repetiu a idade várias vezes, talvez tentando processar a gravidade do que via. Percebeu o resultado só quando mostrou o resultado à médica que a acompanhava. Mas Rosa, fiel ao seu espírito positivo, não se deixou abalar. "Nunca fiquei assustada", conta. "Queria acreditar que a médica estava enganada, mas aceitei logo o que tinha de ser feito. Só não queria morrer." 

Uma Batalha Corajosa 

O tratamento foi longo e intenso: 28 sessões de radioterapia e quimioterapia em comprimidos. O tumor parecia ter desaparecido nos exames, mas o risco de estar escondido era real. Rosa preferiu a certeza à dúvida e decidiu pela cirurgia. “Era melhor ser operada do que arriscar”, explica.

Em março de 2005, submeteu-se àquela que viria a ser a primeira cirurgia. Anos depois, em 2020, Rosa voltou à mesa de operações para remover dois pólipos que não podiam ser tratados através de colonoscopia. Desta vez, a solução foi uma colostomia. Um passo difícil, mas necessário para continuar a viver.

Rir é o Melhor Remédio

O diagnóstico de cancro é uma notícia que abalaria qualquer pessoa. Mas Rosa nunca foi uma pessoa comum. O que podia ter sido um período de tristeza e medo transformou-se num momento de força e alegria. Rosa ria-se, fazia piadas e, surpreendentemente, era ela quem dava força à família. "Sempre disse que temos de ir para cima, se formos para baixo, é pior."

A adaptação à colostomia foi complicada. Durante os primeiros seis meses, sentia que todos olhavam para ela. Mas Rosa, mais uma vez, deu a volta por cima. Aprendeu a viver com a nova realidade e, hoje, confessa que, por vezes, até se esquece que tem o saco. “É meu, estou viva”, repete.

Família: O Pilar que Nunca Desmorona

A família de Rosa sempre esteve ao seu lado. O marido, os filhos, todos a apoiaram. Mas, como nem tudo é fácil, teve de enfrentar a perda do marido. Terminou a relação com Rosa, num segundo momento de dor profunda que descreve como “a morte dele em vida”. Isto porque acabou por falecer tempos mais tarde. Apesar da tristeza, Rosa encontrou um novo companheiro, dois anos após a perda do marido. Há 16 anos juntos, aceitou-a tal como é e trata-a com todo o carinho e respeito.

Uma das memórias mais ternas que guarda é do filho mais novo, que na altura da primeira cirurgia tinha 14 anos. Com uma maturidade além da idade, ele calçava as luvas e ajudava a mãe a trocar o saco. "Tivemos de aprender juntos", diz Rosa, emocionada.

A Vida Hoje: Viver Plenamente

Apesar de todas as adversidades, Rosa vive a vida ao máximo. A sua rotina inclui cuidar da casa, visitar a mãe de 88 anos e apoiar a sobrinha, que faz vendas online. E, claro, as suas tardes não estão completas sem assistir ao programa "Tardes da Júlia".

Mesmo com a colostomia, Rosa não se priva de nada. Vai a jantares, convive, come, bebe e, acima de tudo, sente-se feliz. Em 2020, após a cirurgia, tomou a decisão de deixar de fumar, pondo fim a um vício de 40 anos. "O tabaco era mais uma prisão do que a colostomia", reflete.

Uma Lição de Vida 

Rosa Maria é um exemplo vivo de que a vida pode ser maravilhosa, mesmo quando nos coloca à prova. "Sou uma pessoa feliz, e a colostomia não vai tirar a minha alegria", afirma com convicção. Rosa acredita que a vida é para ser vivida, que devemos agarrar-nos ao que nos dá força e continuar a seguir em frente, com um sorriso no rosto e amor no coração.

E é com este espírito que Rosa partilha a sua história, não apenas para inspirar, mas para mostrar que, com coragem, fé e apoio, podemos superar qualquer obstáculo.

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Zaida

Zaida

“As pessoas que têm este problema não se devem envergonhar, só temos de ter outro cuidado com higiene e pronto.” Conheça a história da Zaida
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Zaida Urostomia desde 2015

O Diagnóstico e o Processo de Tratamento 

Zaida descobriu o cancro da bexiga após notar vestígios de sangue na urina. Inicialmente, a médica pensou que eram areias, mas com o tempo e o agravamento dos sintomas, Zaida foi confrontada com a necessidade urgente de um tratamento. A primeira cirurgia foi em junho de 2012, e após várias intervenções e tratamentos de radioterapia, o estado da bexiga deteriorou-se a ponto de se tornar insustentável. A solução foi a remoção da bexiga e a criação de uma urostomia. 

A notícia da necessidade de uma ostomia foi recebida com uma força surpreendente. Zaida enfrentou o desafio com coragem, ansiosa pela melhoria da sua qualidade de vida. O medo de ficar incontinente era grande, mas a cirurgia trouxe-lhe um alívio e uma nova perspetiva sobre a vida, após dois anos de intenso sofrimento e angústia.

Impacto e Rede de Apoio

Após a cirurgia, Zaida adaptou-se bem à nova rotina. A ostomia trouxe-lhe uma melhoria significativa na qualidade de vida, permitindo-lhe continuar com os seus passeios e atividades diárias. Embora os filhos tenham mostrado alguma relutância e preocupação, o marido, que já tinha passado pela mesma experiência, e a extensa rede de amigos e familiares, ofereceram um suporte sólido. A adaptação foi facilitada pela escolha de produtos apropriados e um ajustamento cuidadoso às novas necessidades.

Zaida mantém-se ativa e cheia de energia. Frequentando a universidade sénior e realizando caminhadas diárias com o marido, continua a gerir as suas tarefas domésticas com autonomia. A sua vida social é vibrante e inclusiva; compartilha abertamente a sua condição com as colegas da universidade e não se deixa limitar por ela. Viaja para diversos destinos, desde o Algarve até Porto Santo, desfrutando de uma vida social bastante rica.

Gestão das Emoções e Desafios

Um momento significativo foi a queda que sofreu três meses após a cirurgia, resultando na fratura de uma perna. A gestão desta adversidade envolveu a ajuda de amigos e familiares, especialmente durante o período da pandemia. Apesar dos desafios, Zaida adaptou-se bem, utilizando roupas interiores apropriadas e mantendo uma atitude positiva e prática em relação à sua condição.

Zaida acredita que a ostomia não deve ser motivo de vergonha. Ela incentiva aqueles que enfrentam esta condição a focarem-se na manutenção de uma boa qualidade de vida, sem se deixarem dominar pelo medo ou pela insegurança. Para ela, a ostomia é uma oportunidade de viver bem, com a mesma dignidade e alegria que antes, e destaca a importância de cuidar da higiene e adaptar a vida às novas circunstâncias.

Zaida exemplifica como, mesmo após grandes desafios, é possível encontrar novas formas de viver plenamente e com satisfação.

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Filomena

Filomena

“Primeiro é encarar com calma e tentar compreender. Prefiro isto do que morrer ou estar num estado vegetal.” Conheça a história da Filomena
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Filomena, Ileostomia desde 2015

Em 2002, a vida de Maria Filomena Lourenço Barroquinho de Jesus Passarinho, na época com 50 anos, sofreu uma reviravolta inesperada. Nessa altura, a agora reformada gerente comercial com 71 anos, enfrentou uma batalha complicada contra o cancro, que resultou numa ileostomia definitiva em 2015. Esta foi apenas uma das várias cirurgias e desafios que moldaram a sua trajetória e que a levaram a descobrir uma força interior que desconhecia.

O Início da Luta contra o Cancro 

Tudo começou em 2001, quando Filomena, que não gosta de preocupar os outros, notou vestígios de sangue nas fezes e uma necessidade constante de ir à casa de banho. Sem querer alarmar a família, decidiu esperar até ao fim das férias para procurar ajuda médica. Após exames, o diagnóstico foi claro e preocupante: carcinoma retal em estágio IV. No entanto, a gravidade da situação não foi imediatamente percebida por Filomena. O médico pediu urgência, mas Filomena, já avó e com a filha grávida, decidiu esconder a notícia a esta última para não a preocupar. Partilhou apenas com o marido e, mesmo assim, evitava pensar demasiado no assunto, mantendo-se num estado de negação quanto à realidade que se aproximava.

A cirurgia inicial foi difícil e o pós-operatório trouxe consigo uma confusão e medo intensos. Ao saber que teria de usar sacos para a colostomia, Filomena ficou assustada com a ideia de ter de recortá-los sozinha, temendo que as suas mãos, já frágeis, não fossem capazes.

No dia da cirurgia, antes de entrar para o bloco, confidenciou o que se passava ao genro, que ficou profundamente abalado. Após a operação, a enfermeira insistiu que Filomena contasse à família, o que fez no dia seguinte, resultando num choque coletivo. 

Uma Nova Realidade: Ileostomia Definitiva 

Ao longo dos anos, Filomena passou por outras cirurgias. Desde então, teve de lidar com três sacos, mas nunca questionou o "porquê" de aquilo lhe estar a acontecer. "Aconteceu porque sim", sempre acreditou.

A ileostomia foi realizada no fim de 2014, após uma obstrução grave a propósito de uma prótese de hérnia estomacal que migrou para o intestino. Com as complicações que daí advieram e as várias tentativas de resolução do evento, a equipa médica viu-se forçada a avançar para a ileostomia definitiva no início do ano seguinte.

Apesar das cicatrizes, nunca se deixou abater, mantendo sempre uma postura positiva. "As cicatrizes não me incomodam", diz, refletindo sobre a sua resiliência.

A adaptação à nova realidade trouxe saudades de atividades que antes lhe eram queridas, como nadar no mar e na piscina, por medo de descolar o saco. No entanto, Filomena aprendeu a contornar esses receios e, hoje em dia, já consegue nadar na piscina de casa. Fora isso, não deixou que a ostomia mudasse o seu estilo de vida, continuando a viver de forma plena. Embora não tenha jeito para “trabalhos manuais”, encontrou na força de vontade a chave para superar as dificuldades e adaptar-se ao uso dos sacos, sempre com o apoio do marido, que também enfrenta os seus próprios desafios de saúde. 

Atualmente, Filomena mantém uma vida social ativa, continuando a passear e a jantar fora com amigos e família. No ano passado, viajou para a Turquia e ficou apaixonada por Istambul, recomendando vivamente a visita. Sempre preparada, leva consigo o seu kit de ostomia, acompanhado pelo seu fiel cão Bobby, que a segue para todo o lado.

Resiliência em Ação 

Apesar dos obstáculos que a ileostomia trouxe, continua a gerir as suas emoções com humor e leveza. Lembra-se de um episódio marcante durante uma viagem a Londres, em 2015, onde enfrentou uma série de contratempos, desde a queda de um dente no aeroporto até ao descolar do saco em pleno voo. Contudo, com a ajuda da família, conseguiu resolver tudo e aproveitar a viagem. “Teve tudo para correr mal, mas no final, tudo se resolveu”, comenta com um sorriso.

Filomena não se sente completamente à vontade em ir à praia, preferindo usar um pareo, mas nunca deixou que a ostomia a impedisse de viver. Nos últimos anos, as caminhadas diárias com a sua cadela tornaram-se parte essencial da sua rotina, percorrendo em média 15 km por dia, o que a ajuda a manter-se ativa e saudável.

Um Conselho de Esperança 

Para aqueles que estão a começar a enfrentar o processo de adaptação à ostomia, Filomena oferece um conselho: “Primeiro, encarem com calma e tentem compreender. Não é nenhum bicho-papão, e temos de aprender a lidar com ele para sermos o mais autónomos possível. Não tenham vergonha e sigam em frente. Prefiro isto do que morrer ou estar num estado vegetal. Faço a minha vida toda, e isso é o que realmente importa.”

A história de Filomena é um exemplo de como a determinação e o apoio familiar podem tornar uma situação desafiadora numa vida cheia de momentos felizes.

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António

António

“Nunca baixar a cabeça.” Conheça a história do António
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António, Colostomia desde 2014

A ostomia é uma realidade para muitas pessoas que enfrentam o diagnóstico de doenças graves, como o cancro colorretal. Para António, ex-polícia e reformado há 17 anos, a transformação começou por volta do ano de 2014, quando foi confrontado com uma realidade que sabia ser possível, mas que esperava evitar.

Um Diagnóstico Que Mudou Tudo

António sempre teve consciência dos riscos que corria. Conhecendo um médico em Espanha, já tinha ouvido falar sobre os perigos dos pólipos e sabia que estes poderiam evoluir para algo mais grave, como o cancro. Apesar dessa consciência, nada o preparou totalmente para o dia em que, após meses de sintomas persistentes, foi finalmente diagnosticado com cancro colorretal.

Aos primeiros sinais, a suspeita foi de hemorroidas, mas António sabia que algo mais sério estava a acontecer. Após exames mais aprofundados no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, a realidade tornou-se clara: o cancro estava num estado avançado, e uma colostomia seria inevitável.

A Aceitação de Uma Nova Realidade

A confirmação da necessidade de uma colostomia veio apenas na véspera da cirurgia, uma notícia difícil de digerir. Com 98% de probabilidades de sucesso, a quimioterapia e a operação ofereciam esperança, mas a incerteza e o medo eram inevitáveis. António, no entanto, decidiu enfrentar a situação de cabeça erguida, optando pela operação mesmo com o conhecimento das complicações que poderiam surgir.

Após a cirurgia, a realidade da colostomia tornou-se concreta. As primeiras horas foram difíceis, especialmente ao acordar num quarto hospitalar com outro paciente que gritava incessantemente, tornando a noite insuportável. Apesar disso, com o apoio da equipa médica e, principalmente, da sua esposa, António conseguiu encontrar a força necessária para lidar com as mudanças no seu corpo e na sua vida.

A Importância do Apoio Familiar

O apoio da família, em especial da esposa e dos filhos, foi crucial durante todo o processo. Este apoio não se limitou apenas aos cuidados físicos, mas também ao suporte emocional, algo que António considera essencial para quem enfrenta uma situação tão delicada. A família manteve-se presente em todas as fases, desde as visitas ao hospital até às atividades do dia a dia, como passeios e viagens.

A capacidade de continuar a viver a vida de forma plena, sem deixar que a ostomia definisse quem ele era, foi um dos pilares que sustentaram a recuperação. A família continuou a socializar e a realizar atividades como uma recente viagem a Fátima, mostrando que a vida pode e deve continuar após um diagnóstico tão transformador.

Adaptação e Confiança: Vivendo com Ostomia

A adaptação à nova realidade não foi imediata, mas António conseguiu encontrar formas de viver com confiança. Ir à praia, por exemplo, tornou-se uma atividade em que se sente à vontade, embora prefira, na maioria das vezes, usar uma camisola para se proteger dos olhares. Reconhece que a curiosidade das pessoas é natural e não se sente incomodado, mas escolhe os momentos em que se sente mais confortável para expor o seu estoma.

A mensagem final que António quer transmitir é clara: "Nunca baixar a cabeça." Acredita que, enquanto tivermos saúde, devemos aproveitar a vida ao máximo, independentemente das adversidades que possam surgir. O saco de colostomia, embora uma mudança significativa, não deve ser visto como um obstáculo intransponível, mas sim como uma nova forma de continuar a viver plenamente.

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Sónia

Sónia

“A ostomia tem de ser olhada como uma oportunidade de termos qualidade de vida.” Conheça a história da Sónia
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Sónia, Urostomia desde 1983

Sónia Ferreira, nascida a 29 de julho de 1977, é uma profissional de destaque com 47 anos de idade e atua como diretora executiva. A sua jornada com a ostomia começou muito cedo, com a realização da cirurgia de urostomia em julho de 1983.

O Diagnóstico e a Primeira Experiência com a Ostomia

Sónia foi diagnosticada com uma malformação congénita da bexiga, conhecida como extrofia vesical, logo após o nascimento. Este diagnóstico fez com que usasse fraldas até quase aos 7 anos. A notícia da necessidade de uma cirurgia para a colocação de uma urostomia trouxe consigo um grande alívio emocional, já que a ostomia permitir-lhe-ia deixar para trás a dependência das fraldas e ganhar uma nova autonomia. Para Sónia, a libertação emocional superou qualquer preocupação física.

A Autonomia que Sempre Quis

A ostomia teve um impacto significativo na vida diária de Sónia, principalmente ao proporcionar-lhe a autonomia que tanto desejou. A adaptação ao novo estilo de vida ocorreu de forma tranquila, especialmente porque o período de recuperação no hospital lhe deu tempo para se ajustar à nova realidade. A sua família reagiu com naturalidade, mantendo-a integrada nas atividades diárias, o que facilitou a sua adaptação. Com os amigos, a reintegração foi igualmente suave; após uma ausência temporária, foi recebida de volta como antes, sem grandes mudanças na dinâmica social.

Como são os dias de hoje

Ao dia de hoje, leva uma vida ativa e vibrante. Embora não pratique pole dance atualmente devido à falta de tempo, continua a ser uma entusiasta desta atividade, que praticou durante vários anos. A sua vida social é intensa e ligada ao trabalho, dado que viaja frequentemente e mantém uma rede de contactos ativa. A ostomia, que faz parte da sua vida há 40 anos, influenciou positivamente a sua carreira. Fundou uma empresa dedicada ao desenvolvimento de soluções médicas, uma forma de utilizar a sua experiência pessoal a ajudar os outros.

Gravidez com Determinação

Um momento marcante na vida de Sónia foi a decisão de ter um filho. Apesar de enfrentar uma falta de preparação e suporte por parte dos médicos, que questionaram a sua decisão, avançou com a gravidez. A reação da família foi de surpresa, mas a experiência foi bem-sucedida.

O crescer da barriga foi um pouco desconfortável, surgiu uma hérnia, inclusivamente, mas mais pelo tamanho da própria barriga. O parto correu lindamente e todo o processo de gravidez decorreu com bastante serenidade.

A filha Maria, agora com 7 anos, não demonstra qualquer vergonha da mãe pela presença da ostomia e toma banho com a mãe desde bebé. Têm apenas o cuidado de não bater na barriga, mas não existem grandes limitações nas brincadeiras.

Infelizmente, não teve contacto algum com outra mãe que tivesse ostomia e acrescenta que gostaria muito de ter a oportunidade de partilhar experiências.

Este desafio foi um exemplo claro de como a ostomia, embora presente, não define ou limita a capacidade de viver uma vida plena.

A Ostomia enquanto Oportunidade

Sónia acredita que a ostomia deve ser vista como uma condição fisiológica que não altera a essência do que somos ou queremos ser. Embora possa haver desafios, especialmente durante a adolescência, vê a ostomia como uma oportunidade para alcançar uma qualidade de vida que talvez não tivesse sido possível de outra forma. O seu conselho para quem está a iniciar este processo é abraçar a condição como parte de uma jornada de adaptação e crescimento pessoal.

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Paula

Paula

“A colostomia vai trazer liberdade só temos de encontrar o nosso caminho.” Conheça a história da Paula
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Paula, Colostomia desde 2024

No dia 24 de abril de 2024, Paula Cristina Figueiredo, influencer digital de 29 anos, enfrentou uma das maiores transformações da sua vida. Diagnosticada com a Doença de Crohn aos 12 anos, Paula passou por um longo e difícil percurso de internamentos e tratamentos.

Paula sempre soube que, como portadora de uma doença inflamatória intestinal, poderia vir a ter uma ostomia. No entanto, nunca imaginou que isso aconteceria tão cedo. A adaptação a esta nova realidade não foi fácil, mas Paula abordou o desafio com a força e determinação que a caracterizam.

Habituada a evidentes alterações corporais desde muito cedo, a propósito dos tratamentos para a Doença de Crohn (que incluíram doses altas e recorrentes de cortisona), conta que terá sofrido com os comentários alheios em tempos de escola, por exemplo.

No entanto, cresceu com a convicção de que não se deixaria abalar por olhares e comentários menos felizes ao seu aspeto físico, apesar do peso que tiveram na altura, naturalmente.

Porquê uma Ostomia?

As complicações da Doença de Crohn continuavam e Paula via-se a colocar cada vez mais sonhos na gaveta, com tantas crises, dores e internamentos recorrentes.

Após o diagnóstico de uma fístula retovaginal, viu-se frente a frente com a possibilidade da colostomia mais cedo do que esperava e o choque foi avassalador.

A sua história culminou com uma colostomia lateral, que veio como uma solução necessária para melhorar a sua qualidade de vida.

O Desafio da Aceitação

Aceitar a nova realidade tem sido um processo contínuo e desafiante para Paula. A experiência de viver com um estoma trouxe consigo um sentimento de choque e uma luta constante para aceitar as mudanças no seu corpo. Os pequenos momentos do dia a dia, como tomar banho e lidar com o peso do saco, tornaram-se fontes de ansiedade e desconforto.

Paula partilhou, inclusive, um episódio particularmente marcante, onde ao tomar o seu primeiro banho pós-colostomia, entrou em pânico ao ver a água tornar o saco mais transparente e sentir o peso a aumentar.

 

A Força Para Continuar

Apesar de todos os desafios, continua a lutar todos os dias para encontrar um sentido de normalidade e aceitação. Reconhece a importância de se manter positiva e focada em cada pequeno momento de felicidade que a vida ainda lhe oferece.

 

A Dificuldade da Segunda Cirurgia

A 23 de agosto de 2024, Paula enfrentou uma nova ida ao bloco operatório para a realização de uma colostomia terminal. Este segundo procedimento, realizado apenas quatro meses após a primeira cirurgia, trouxe um conjunto de desafios inesperados e mais difíceis de enfrentar.

 

Um Novo Capítulo

Paula Figueiredo continua a partilhar a sua história nas redes sociais, oferecendo apoio e inspiração a outros que vivem com ostomias ou doenças crónicas. A sua transparência e honestidade sobre as dificuldades que enfrenta são um lembrete poderoso de que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, é possível encontrar força e propósito.

Como a própria diz, “somos feitos de força e de muito amor”. E é com essa força e amor que Paula continua a trilhar o seu caminho, um dia de cada vez, focada em aproveitar cada momento e em vencer cada desafio que a vida lhe coloca.

Paula acredita que, apesar de tudo, conseguirá superar mais esta fase difícil. A sua jornada de aceitação é um testemunho de força e resiliência, um exemplo para todos aqueles que enfrentam desafios semelhantes.

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Luísa

Luísa

“Nós somos mais fortes do que pensamos. Não há nada como viver um dia de cada vez” Conheça a história da Luísa
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Luísa, Colostomia desde 2023

A empresária de 65 anos, Luísa, passou por uma transformação profunda em 2023, quando uma colostomia a fez redescobrir a vontade de viver. Já perfeitamente adaptada ao estoma, é surpreendida, no ano seguinte, com uma cirurgia de reversão.

O Início de Uma Nova Realidade

Tudo começou de forma inesperada, numa noite comum, enquanto jantava. Luísa começou por sentir uma dor abdominal intensa, que nem os analgésicos que o filho lhe deu conseguiram aliviar. Com o passar das horas, a dor tornou-se insuportável, e decidiu ligar à Saúde 24, que a encaminhou para as urgências. Eram duas da manhã quando deu entrada no hospital, e o seu estado de saúde exigia uma intervenção imediata.
Após uma TAC, foi-lhe diagnosticado um divertículo não maligno que necessitava de cirurgia urgente. Foi nesse momento que Luísa recebeu a notícia que mudaria a sua vida: iria precisar de uma colostomia. A reação inicial foi de choque e desespero, acompanhada de uma depressão que a fez recorrer a antidepressivos. "Pensei que ia morrer", recorda. Os primeiros tempos foram difíceis, e Luísa passou muitos dias a chorar, a revoltar-se contra o que lhe parecia ser um destino cruel.
A adaptação à nova realidade não foi fácil. Luísa sentia-se desconfortável com o saco, insistindo em trocá-lo constantemente, e evitava ao máximo olhar para ele. "Todos os dias eu pedia para morrer", confessa. A sua rotina mudou drasticamente: as roupas justas foram substituídas por fatos de banho estilo túnica, que escondiam melhor a colostomia. Felizmente, a sua pele permitiu-lhe adaptar-se rapidamente ao uso de sacos de uma peça, o que lhe trouxe alguma segurança.

O Papel Fundamental da Família

A família desempenhou um papel crucial neste processo de adaptação. A neta mais nova, de quatro anos, sentia receio de olhar, já a mais velha, com doze, mostrava-se curiosa e disposta a entender o que a avó estava a passar. Esta rede de apoio foi vital para Luísa, que encontrou na família o suporte necessário para enfrentar os desafios diários.

Recuperação e Regresso à Normalidade

Com o tempo, a empresária começou a recuperar a sua vida. Amante do ginásio, das caminhadas e da piscina, Luísa inicialmente evitava o ginásio, mas acabou por retomar as atividades físicas, nomeadamente pilates clínico, que a ajudaram a fortalecer o abdómen e a recuperar a confiança. "Se tantas pessoas lutam pela vida, eu também devia aproveitar essa oportunidade", afirma. Esta nova perspetiva fez com que Luísa encarasse os desafios de uma forma mais positiva, vendo neles oportunidades para crescer.

A sua vida social também se transformou. No início, tinha receio de sair e de participar em eventos, mas, aos poucos, foi ganhando coragem. Uma das experiências mais desafiantes ocorreu durante uma viagem ao Dubai e à Tailândia. No Dubai, o saco da colostomia vazou, sujando a roupa interior, mas Luísa manteve a calma, limpou-se e comprou roupa nova. Na Tailândia, enfrentou uma diarreia severa, mas conseguiu gerir a situação de forma exemplar, com o apoio das amigas que a acompanharam. As adversidades acabaram por se tornar em lições de vida, que Luísa superou com uma resiliência invejável.

O Maior Impacto: Vencer os Medos

O maior impacto da colostomia para Luísa foi lidar com os cheiros e a necessidade de tomar banho sem o saco, algo que conseguiu fazer ao fim de três meses. Este pequeno passo representou uma grande vitória pessoal, e Luísa começou a criar estratégias para se adaptar e viver plenamente.
Mais tarde, teve a possibilidade de ser submetida a uma nova cirurgia, esta de reversão, e assim o fez, embora já se sentisse habituada àquela realidade que parecia, inicialmente, tão dura e impossível de aceitar.

Uma Nova Perspetiva de Vida

Hoje, apesar de ainda sentir a presença do saco, Luísa afirma que está a viver um sonho. Experimenta novas coisas, desde beber cerveja a comer picante, e sente-se confortável na sua própria pele. Para aqueles que estão a iniciar o processo de adaptação à colostomia, Luísa deixa um conselho sincero: "Sei que não é fácil, mas nós somos mais fortes do que pensamos. Nas fases mais difíceis, lembrem-se de viver cada dia ao máximo e de ver o positivo, mesmo que aos poucos. E ter uma rede de apoio é fundamental."
A história de Luísa é um exemplo de como a resiliência e a força interior podem transformar uma situação adversa numa oportunidade de crescimento e renovação.

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Calendário Coloplast 2024

Joaquim

Joaquim

“O principal é a pessoa ser positiva e é fundamental partilhar com os mais próximos” Conheça a história do Joaquim
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Joaquim, com ileostomia desde 2014

Com 62 anos, já se reformou, mas era inspetor-chefe no setor de operações dos comboios.

Em 2013, fez a colonoscopia que lhe trouxe o diagnóstico: cancro. Mas reconhece que deveria ter feito este exame mais cedo. Talvez, se não tivesse arrastado tanto, a solução não tivesse passado pela ileostomia.

Como a esposa sofria de hemorróidas, achou que poderia ter o mesmo e acabou por não explorar o que se passava. Até que começou a perder mesmo muito sangue e este foi o principal sintoma. Fez quimio e radioterapia e, cerca de 5 meses depois, foi operado. Ficou ostomizado, com uma ileostomia definitiva. Posteriormente, realizou mais algumas sessões de quimioterapia.

O primeiro impacto do diagnóstico foi duro. Elogia a esposa, que foi de um enorme apoio e transmitiu a força necessária para, na mesma noite, Joaquim partilhar o diagnóstico com os filhos e restante família.

Como a maior incidência era no reto e tinha, também, uma estenose resistente, os médicos decidiram tirar tudo. Outro receio era a incontinência, que Joaquim temia ainda mais do que a ostomia.

Os primeiros meses de pós-operatório foram muito difíceis, mas tentou não deixar de fazer nada, tanto que regressou ao trabalho assim que pôde. Gosta muito de agricultura, que também não abandonou. Só tem mais cuidado com os movimentos porque receia que a placa descole. Usa uma cinta, por recomendação das enfermeiras que o acompanham. E, como tem uma pequena hérnia junto ao estoma, a cinta acaba por ajudar ainda mais.

A família reagiu bem e transmitiu muita força a Joaquim. «Se tanta gente sobrevive, serás outro dentro dessa estatística.», diziam-lhe, tanto família, como colegas.

Dedica-se, hoje, à sua quinta e à recuperação de antiguidades que herdou dos pais. Quanto à vida social, também não a deixou de parte e tem aproveitado para estar com os seus sempre que pode.

«O principal é a pessoa ser positiva e é fundamental partilhar. Se a pessoa se fecha é pior.»

Como apanhou um susto em 2021 - teve um enfarte enquanto tratava da quinta - passou a estar mais atento e a cuidar melhor de si, tendo introduzido o exercício físico na sua rotina diária. Até já montou um mini ginásio em casa, para evitar a chuva e o frio.

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Maria Odete

Maria Odete

“Mesmo com a ostomia continuo a fazer teatro e a ir à praia” Conheça a história da Maria Odete
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Maria Odete, com urostomia desde 1992

Ostomizada desde 1992, Maria Odete tem agora 61 anos e é catequista de adolescentes há 46.

Nasceu com espinha bífida e mielomeningocele. Sofria com infeções urinárias frequentes e recorreu muitas vezes à urgência, até que fez uma retenção urinária de 72 horas que a levou para o Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, onde ficou internada.

Fez exames, análises e dieta líquida durante 15 dias porque precisava de perder peso antes de ir para o bloco operatório. Chegado o dia, muitos, no hospital, não acreditavam que Maria Odete sobrevivesse à cirurgia. Mas o médico-cirurgião acreditava e conseguiu tranquilizar Maria Odete, que já sabia que ia ficar ostomizada. Tinha sido muito bem preparada na noite anterior, em conversa com o médico que a ia operar.

Tudo quanto esteja relacionado com o material da urostomia, Maria Odete aprendeu sozinha - como trocar, como adquirir, etc. Estava ciente das mudanças, mas não quis depender de ninguém desde o início, nem da mãe.

Não se deixa limitar pela urostomia e tenta não se deixar abater pelos desafios que a sua condição lhe traz. Recorda um episódio, em particular, em que foi a França de autocarro e, durante a viagem, o saco encheu na totalidade. Maria Odete teria de o despejar, obrigatoriamente. Então, pediu ao motorista que parasse, assim que possível, e lá se desenrascou.

Também já acampou e não abdica da praia. Prefere usar um fato de banho de calção, que tape muito bem o saco. O essencial, é sentir-se confortável. Não gosta de se expor e usa roupas largas, uma cinta e fralda, já que não tem praticamente controlo no esfíncter (afetado por uma intervenção cirúrgica a que foi submetida ainda em criança). A única vez que se lembra de ter usado um vestido justo, acabou por correr mal e, quando deu por ela, estava toda molhada. No entanto, são raríssimos, estes acidentes, tendo acontecido apenas uma ou duas vezes até à data.

Sente, ainda, alguma dificuldade com o material da urostomia. A transpiração interfere com a cola, embora, durante muitos anos, isto não tenha sido problema. Mas é proativa na procura de soluções e vai testando vários produtos.

No que a hobbies concerne, Maria Odete gostava de praticar hidroginástica, mas tem receio de estar na piscina. Todavia, o receio que sente da piscina está no extremo oposto da coragem que tem vindo a demonstrar, ao atuar em espetáculos para públicos que levam 800 pessoas (que pagam para a ouvir cantar, inclusive).

Apesar de ter 70% de invalidez, gostava de fazer mais, só que veria o seu subsídio cortado, além de que não conseguiria garantir ao empregador que seria capaz de cumprir horários.

De qualquer forma, é uma mulher cheia de garra que não desistiu de viver e de ser feliz.

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Dina

Dina

“Tinha muita dificuldade com o convício social mas, hoje, já lido muito bem com as saídas de casa” Conheça a história da Dina
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Dina, com colostomia desde 2022

A história de Dina começa em 1998, com diarreias, vómitos e perda de peso drástica. A gestora de conta de 42 anos foi operada de urgência com peritonite. Retirou o apêndice e 1 cm de intestino. Mais tarde, veio o diagnóstico da doença de Crohn, que não foi rápido, tendo, inclusivamente, chegado a desmaiar com dores sem saber bem por que motivo.

Dina-Colostomia

Com o diagnóstico, vieram os tratamentos, que foram correndo mais ou menos bem, com altos e baixos. Foi uma das primeiras pessoas a tomar medicação biológica no Hospital de St.ª Maria, em Lisboa, e o filho de Dina chegou a ser batizado de «bebé Remicade», uma vez que se tratava do primeiro bebé do sexo masculino a nascer enquanto a mãe fazia este tratamento.
Cerca de 12 anos volvidos, o biológico deixou de surtir efeito e foi, segundo as palavras de Dina, «o descalabro». Tentou mais medicamentos biológicos e nenhum resultou, sendo que o que toma atualmente já começa a acusar perda de eficácia.

Colostomia-Dina

Sabia que a ostomia seria uma inevitabilidade, mais cedo ou mais tarde. Tinha uma estenose difícil, uma fístula e já tinha um saco provisório, no entanto, a posição de Dina mantinha-se intransigente em relação à ostomia definitiva.

Porém, após inúmeros internamentos e um cansaço indescritível, a própria Dina ligou à médica que a seguia e desabafou, «já chega». Conta que «não foi bem uma escolha, mas percebi que tinha de ser.» Não obstante, acabou por se tratar de uma cirurgia de urgência em que a médica precisava de ver o que se passava, para tomar decisões em relação ao tipo de ostomia - se colostomia ou ileostomia. Quando acordou, tinha três sacos: um para a fístula, outro que servia para drenar e a colostomia definitiva. «Ó Dr.ª, apanhei promoção, não? Entrei com um saco, saí com três», brinca a gestora de conta cujo sentido de humor, esse, não perdeu.
Confessa que não aceitou nada bem e descreve a ostomia como uma amputação invisível, uma agressão ao que se conhece enquanto fisionomia de nascença. «Conhecer o meu corpo há 40 anos de uma forma e, de repente, ter buracos em todo o lado… é um momento de choque.»

colostomia
Brinca muito com o assunto porque garante ser a melhor forma de lidar com a ostomia. Insiste, porém, que, à data, o que mais a perturba e limita é o desgaste ósseo (mais de 30%), consequência da medicação prolongada para a doença de Crohn, acredita.
«De manhã, não consigo pôr logo os pés no chão e subir escadas é doloroso. Vamos trocar de casa para uma moradia térrea porque tenho consciência de que não aguento muito mais.»
Acrescenta que leva uma vida completamente normal, com as limitações impostas pela sua ostomia. Inicialmente, tinha muita dificuldade com o convívio social mas, hoje, já lida muito bem com as saídas de casa. No entanto, evita comer antes de sair por uma questão de conforto mais prolongado.

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Suellen

Suellen

“Acredito que a ostomia é uma segunda oportunidade que a medicina me deu de voltar a viver” Conheça a história da Suellen
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Suellen, com colostomia desde 2023

A consultora de imagem de 41 anos, com uma mão cheia de projetos na gaveta, regressa, em 2023, com uma colostomia e uma enorme vontade de viver.
Suellen estagiava num banco, no Brasil, quando se sentiu com febre. Dirigiu-se às urgências do hospital, onde lhe diagnosticaram uma virose. Contudo, não melhorava, e, uma semana mais tarde, teve de voltar. Neste momento, já colocavam a hipótese de ser dengue. Continuava com febre e começou a sentir uma dor forte na zona perianal. Tinha 17 anos e um abcesso que drenou cerca de 1 litro de pus, só na primeira vez, porque voltaria 15 dias mais tarde para continuar a drenar. A febre persistia e o abcesso também.
O cirurgião, que era também proctologista e viria a ser, anos mais tarde, padrinho de casamento de Suellen, foi quem conseguiu dar um nome ao que a jovem tinha. Não foi fácil chegar ao diagnóstico, mas era doença de Crohn.

Perdeu o estágio e a oportunidade de ingressar na faculdade, naquele ano. O importante era controlar esta doença que levava Suellen a pular, constantemente, entre clínica e hospital. Com dores, com medo e sem uma solução à vista, os três primeiros anos, entre 1999 e 2002, resumem-se a isto: tentar controlar as crises para poder viver.

Depois do diagnóstico, veio a fase de adaptação, de controlar a doença e de a aceitar. Porém, assume que passou por uma fase de negação e revolta muito intensa. «Tanta gente para adoecer e fui logo eu a escolhida. Não era suposto!» Começou a comparação com as amigas, que tinham uma vida normal, evoluíam, e ela sempre na mesma. Mais tarde, a vitimização, a sensação de que nada de bom acontecia.

Durante estes três anos em que tentavam de tudo para estabilizar a doença, chegou a pesar 35 kg. Odiava olhar-se ao espelho. Era vaidosa e não suportava ver-se assim. «De repente, era uma coitadinha. Decidi não namorar, nem casar com ninguém. Não queria correr o risco de contar a minha história e de a pessoa terminar e sentir-me rejeitada.»

Assim que pôde, voltou aos estudos e começou a preparar-se para entrar na faculdade. Ironia do destino, apanhou o irmão mais novo na mesma fase da vida. Estudavam juntos e tinha até um pouco de vergonha disso.
Para não estar sempre focada na doença, Suellen foi aprender violão e tirou uma série de cursos. De bijuteria a cursos de inglês e de cupcakes, aprendeu um pouco de tudo. E ainda encontrou energia para viajar com as amigas a Cuba e para casar, no auge de uma crise, com o marido, Jaime, que conhecera antes do diagnóstico.
As complicações continuaram e apareceu uma fístula vaginal. Só que não ficava por aqui.

Como se não bastasse, perdeu parte do esfíncter e detectaram mais um abcesso profundo, em 2015. Quatro anos depois, já a viver em Portugal, começaram a preparar Suellen para a ostomia. Recusava a possibilidade antes de ser mãe e chegou, inclusive, a engravidar em 2020, com a doença bastante ativa. Acabou por perder o bebé.Em 2023, já o Crohn estava tão avançado, que a ostomia foi uma inevitabilidade para Suellen. Revoltada e assustada, ficou dois dias inteiros em casa a chorar. Pesquisou muito. Leu muito. No entanto, visto já ter passado por um processo de negação, com o diagnóstico do Crohn, acabou por aceitar mais rapidamente a evidência de que teria de ser ostomizada.«É uma nova oportunidade que a medicina nos oferece. Não para sobreviver, mas para viver. De forma inteira e completa.»

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Alexandra

Alexandra

"Em parelha com o meu filho temos ultrapassado muitos desafios" Conheça a história da Alexandra
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Alexandra, com ileostomia desde 2018

Reformada, Alexandra Rodrigues tem 57 anos e um filho de 38 que partilha da sua condição, já que é, também ele, ostomizado.
Trabalhava com produção de peças de plástico para automóveis, mas viu-se obrigada a abandonar a atividade profissional após a cirurgia que a deixou ostomizada.
O que levou Alexandra a procurar ajuda foi uma anemia muito grave e debilitante, aparentemente impossível de controlar. Um dia, já completamente esgotada, pegou nos exames todos e levou-os à ginecologista, tendo ficado medicada na altura. Mais tarde, consultou o médico de família e acabou por ser encaminhada para a especialidade de gastroenterologia. 
Juntou mais uma série de exames à coleção e veio a saber que estaria minada de pólipos. Mais de 100. Perante este cenário, operar antes que a situação se tornasse mais complicada, era imperativo. Infelizmente, nem a cirurgia nem a recuperação foram um mar de rosas e Alexandra sente ainda, passados 5 anos, as marcas desse pós-operatório.
Sabia que a ileostomia seria definitiva e acredita ter ido bem preparada para a cirurgia. Teve uma consulta prévia com as estomaterapeutas e foi, também, proativa na procura de informação na internet, o que lhe trouxe alguma tranquilidade. 
Inicialmente, era o marido que tratava do estoma, uma vez que era plano e a dificuldade em cuidar dele para garantir que o material ficava bem colocado era grande. Um dia, decidiu que não podia continuar dependente e começou a tratar da sua ostomia sozinha. Umas vezes correu bem, outras nem tanto. Mas encara como aprendizagens fundamentais para a aceitação.
No que diz respeito à alimentação, é verdade que mudou um pouco e, quando sai de casa, tem algum receio de sentir-se indisposta. «Já aconteceu voltar para trás. Nem é pelo receio das fugas, é não me sentir bem e achar melhor.» É facto que se sente um pouco condicionada, sendo, por isso, que prefere comer em casa e fazer uma alimentação à base de sopa.
Partilhou a sua condição com as pessoas mais próximas, sem qualquer pudor. Mas o verdadeiro desafio foi a ostomia do próprio filho, cerca de dois anos depois da sua. «Foi um choque reviver tudo de novo e custa mais quando é um filho. Houve muita vez que chorei.»
De 15 em 15 dias, desloca-se ao centro de saúde para alargar o estoma e livrar-se do desconforto que os bloqueios provocam. Trata-se, porém, de apenas mais uma tarefa e encara-a como algo que faz parte do seu caminho e da sua vida. É que, mesmo com tudo o que passou, mantém-se positiva e garante que tudo se endireita.

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Fátima

Fátima

“Quis desde cedo ficar autónoma nos cuidados ao meu estoma.” Conheça a história da Fátima
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Fátima, com colostomia desde 2012

Profissional de Saúde reformada, Fátima Monteiro tem agora 72 anos e uma colostomia desde 2012.

 

A história de Fátima começa com o aparecimento de um sintoma muito comum: uma pequena hemorragia numa ida banal à casa de banho. Não ignorou o que viu e marcou logo uma consulta. Sem grandes revelações, adiantaram que seria uma hemorróida. Posto isto, desvalorizou a situação.

Mais tarde, o episódio repetiu-se e Fátima tomou as medidas que pôde, dentro do hospital e dos seus conhecimentos, para conseguir que a observassem com mais atenção. Fez, finalmente, uma colonoscopia. «Há aqui qualquer coisa, mas nada de grave. Daqui a um ano, repetimos.», disseram-lhe.

Repetiu a colonoscopia e a conclusão foi semelhante: «mais meio ano e voltamos a repetir porque convém vigiar».

No fim de 2011, apareceu sangue nas fezes e Fátima marcou nova consulta. Conseguiu marcar para o início do ano seguinte. Nessa altura, o médico mostrou-se mais alarmado, dizendo que era tudo para ontem e que tinham de perceber o que se passava.

Como trabalhava há 33 anos na Cirurgia, no Hospital de St.º António dos Capuchos, em Lisboa, e conhecia o cirurgião, conseguiu logo fazer uma TAC e nova colonoscopia. Aqui, foi informada: teria de ser submetida a uma cirurgia.

No meio de tanta informação, Fátima não processou, de imediato, o nome do médico para o qual teria sido encaminhada. Só se apercebeu, mais tarde, de que se tratava de um profissional relacionado com doença colorretal. Era cancro. «E nesse momento, sim, gelei e o teto caiu-me em cima».

Ainda ponderaram transplante de canal anal, mas rapidamente concluiram que não havia nada a fazer. Não meteu baixa, mas pôs férias porque acreditava que ia morrer na cirurgia.

Faltava cerca de uma semana para a cirurgia e Fátima não evacuava há 22 dias. Continuou a trabalhar e chegou a fazer um turno de 24 horas. Com a barriga inchada, pesada e desconfortável, ainda encontrou espaço para comer uma sardinhada antes da operação. «Se morresse, morreria feliz».

Ficou tão abalada com a notícia, que não contou a ninguém. A própria filha, que é médica, só descobriu que a mãe ia ser operada por acidente. Fátima não queria preocupar ninguém e tentava não pensar no que a esperava. Já tinha passado pela morte de um filho e não queria adicionar tristeza à vida da filha. «Até hoje, a minha filha não me perdoa».

Passou por tudo sozinha, sem o particular apoio de ninguém, a não ser de alguns colegas. O facto de trabalhar no hospital ajudou muito. Recorda o apoio da Enf.ª Dulce Catanho no que diz respeito aos cuidados com a ostomia, mas quis ficar autónoma desde cedo. Como trabalhava na Cirurgia, estava já familiarizada com estes cuidados e, rapidamente, começou a tratar de si sem auxílio.

Nada mudou além da alimentação. Figos e fisalis, que deixou de comer, são os alimentos de que sente mais saudades.

Socialmente, tudo se mantém igual e continua a viajar, de avião, inclusive. Foi à Madeira, aos Açores e ao Brasil. Pediu uma declaração ao médico por causa do material da ostomia, mas tudo correu lindamente nos aeroportos. Só do Brasil para Portugal sentiu a necessidade de mostrar a colostomia, para explicar ao comissário de bordo o motivo pelo qual voava com uma tesoura. Durante o voo, nem precisou de ir à casa de banho trocar o saco.

Se pudesse deixar um conselho, seria o de se apostar na autonomia da pessoa ostomizada, sendo fundamental que as próprias realizem os cuidados desde cedo.

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Ana

Ana

“Temos de nos ouvir porque o corpo dá sinais e devemos tratar-nos com a importância que merecemos.” Conheça a história da Ana
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Ana, com colostomia desde 2022


Ana Valente tem 39 anos, 3 filhos e uma colostomia que chegou sem aviso.

Apesar dos desmaios frequentes e das dores, sendo uma mulher nova, tanto ela como o próprio médico de família desvalorizaram estas manifestações sugestivas de que algo precisava de atenção.

Sempre tolerou razoalmente a dor, mas o dia em que se sentiu realmente mal chegou e, nas urgências, fez uma TAC que mostrou que o seu intestino teria, pura e simplesmente, rebentado. Foi, então, submetida a uma cirurgia de urgência. Teve algumas complicações no pós-operatório, o que resultou num mês inteiro de internamento até estar em condições de ir para casa e de permanecer autónoma, junto dos três filhos.

Quando acordou da cirurgia, foi surpreendida pela presença do saco na barriga, mas encarou a situação com bastante leveza. «Olhei para o saco e perguntei: o que faço com isto?» Parte do intestino fora retirado e tinha, agora, uma colostomia.

A realidade é que Ana não teve a oportunidade de ouvir uma explicação prévia acerca do que seria uma ostomia. Não houve qualquer preparação para a nova condição. De qualquer modo, não sentiu medo e aceitou bem a colostomia.

A dada altura, conta que até já ensinava a médica a trocar o saco. O que, ainda hoje, tem dificuldade em aceitar é o que acredita estar na origem deste episódio. «Já tinha crises nervosas e depressão e nunca fui encaminhada. Talvez tivesse dado para evitar.»

Perdeu muito peso e teve de repensar o guarda-roupa, tanto pelo volume perdido como pela colostomia, e só se sente confortável com o uso de uma cinta que nunca mais largou. Estas são apenas algumas alterações que considera fundamentais para a adaptação a uma ostomia.

Em relação aos filhos, estes perguntam-lhe, constantemente, quando reverterá a condição. Mas não sabe, ainda, se será possível fazê-lo, pelo que não alimenta essa esperança a ninguém. Principalmente, a si própria.

Descobriu que as caminhadas são o segredo para uma colostomia funcionante, além da água e de pequenas alterações na alimentação. É mais ativa do que antes, tem mais energia (e bem precisa dela, já que trabalha em restauração e tem uma rotina profissional bastante exigente) e não abre mão do autocuidado.

Não obstante toda a dor, retira conclusões positivas da sua história com a ostomia. Passou a escutar mais o corpo e a estar mais atenta, quer a si, quer aos seus.

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Daniel

Daniel

“Se os outros conseguiam, eu não conseguiria porquê?” Conheça a história do Daniel
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Daniel, com ileostomia desde 2020

 

Foi por volta dos 35 anos que Daniel Esteves foi submetido à cirurgia que o transformou para sempre.
Sempre muito ativo, Daniel, além de trabalhar na indústria do plástico, manteve um amor incondicional pela farda de bombeiro. 
A sua história com a ileostomia começou, na verdade, com a mãe. A mãe de Daniel é ostomizada, pelo que não se tratava de uma realidade que lhe era totalmente alheia. Aliás, fez exames precisamente por recomendação médica, pois poderia aqui existir alguma hereditariedade. Nunca teve quaisquer sintomas que sugerissem o que se avizinhava.
Tinha pólipos. A cirurgia foi proposta de imediato e agendada rapidamente. Uma semana antes da cirurgia, os pólipos rebentaram e acabou por ser operado de urgência. 
Por ter acompanhado o processo da mãe, ficou bastante desanimado. Não queria passar pelo mesmo. Porém, estava tranquilo porque pesquisou muito, na altura, e informou-se o mais possível para a ajudar. 
Uma vez que sentiu um grande conforto por estar informado, começou a fazer o mesmo pelos outros: partilhar. Deu, até agora, duas palestras acerca da sua experiência enquanto ostomizado e adora a sensação de poder amenizar a dor e a ansiedade dos outros.
Já a adaptação, nos dois primeiros meses, foi bastante complicada. A humidade da pele e as pilosidades não facilitavam, e o saco descolava com facilidade. «Mas, desde que encontrei o material certo, nunca mais tive problemas. Hoje, quando quero descansar a pele, uso outra marca por um ou dois dias, mas regresso logo à Coloplast.»
Pensou-se, inicialmente, em fazer quimio e radioterapia, mas tendo retirado o cólon e tudo estando controlado, optaram por não seguir com os tratamentos, na época. Ainda assim, continuaria a ser vigiado e aguarda nova cirurgia, agora relacionada com tumores que levaram à inevitabilidade da quimioterapia, mais recentemente.
Embora tenha ficado triste e revoltado com o diagnóstico, e tenha ido abaixo por diversas vezes, conseguiu perceber sozinho que podia ter sido pior.E que, no meio de tudo, até teve sorte.
«Se os outros conseguiam, eu não conseguiria porquê?»
Continua indignado com a mentalidade de algumas pessoas e deixou, inclusive, de ir à praia e de praticar algumas das suas atividades preferidas, como surf e mergulho. No entanto, está nos seus planos retomar estes hobbies e, até, criar um canal de YouTube, com o intuito de inspirar outros ostomizados. 
«O conselho que posso deixar é “não desistam”. A vida é bela e há tanta coisa para fazer, ainda. Seja que doença for, há que lutar e fazer sempre o melhor.»

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Vítor

Vítor

“Podemos viver bem e confortáveis, ao contrário do que pensamos ao início.” Conheça a história do Vítor
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Vitor, com colostomia e ileostomia desde 2019

Vitor, com colostomia e ileostomia desde 2019

Vitor tem 56 anos e era bancário, antes de se reformar por invalidez.
Foi a cirurgia ao reto, no final de 2019, que deixou Vítor colostomizado. Na época, teve alta mas voltou a ser internado porque a colostomia não funcionava bem. Após uma nova intervenção, o intestino rompeu e teve, assim, de ficar também com uma ileostomia.
Olhando para trás, percebe que os sintomas sempre lá estiveram: cansaço extremo e alterações no funcionamento do intestino que Vítor, na altura, desvalorizou. Tinha, apenas, atenção à alimentação, mas normalizava estas manifestações. Quase as ignorava.
Em 2019, a irmã fez uma colonoscopia através da qual descobriram um pólipo. Alertaram logo para a possibilidade de se tratar de uma questão genética e, já que são quatro irmãos, seria mais seguro todos serem vigiados. Nessa altura, já Vitor manifestava algumas perdas de sangue. «É clarinho, está tudo bem.», pensava.
A verdade é que, quando fez a colonoscopia, detetaram cancro. Recorda que foi no dia 1 de abril. Podia ser mentira, mas não. Foi à consulta de cirurgia, fez TAC, ressonância magnética e iniciou a quimioterapia. Como a área afetada era cerca de 9 cm do ânus, convinha diminuir o tamanho antes de operar. Complementou, então, os tratamentos com radioterapia. As TAC mostraram metástases no fígado, que já operou, entretanto, três vezes. Voltou a fazer quimioterapia no meio deste processo e o fígado tem-se revelado o ponto fraco de Vitor. 
A esposa ajuda nos cuidados com as ostomias. Além de serem duas, Vitor tem uma grande concavidade, pelo que gasta muita pasta e também anéis para que fique nivelado e menos propenso a fugas e lesões na pele. Acrescenta que, desde que descobriu os extensores da Coloplast, em forma de meia-lua, usa-os sempre para uma segurança extra.  
Porém, e como nem tudo é fácil, a primeira fuga acontece num local público. «Foi uma situação delicada. Daquelas em que se chega ao carro e é desesperante. Chorei muito. Não era tão chorão como sou agora.»
Recorda-se de ouvir histórias, quando ainda trabalhava no banco, de pessoas com ostomias. E lembra-se de pensar que o saco seria sinónimo de perda de qualidade de vida. Tinha esse preconceito.
Hoje, ainda não se sabe se existe alguma possibilidade de reconstrução porque os problemas oncológicos têm atrasado tudo, mas guarda a esperança de ficar com uma das ostomias, apenas. «Tenho receio da reversão e do pós-operatório, mas gostava que acontecesse.»
Continua a fazer coisas simples, como tomar conta do jardim e do cão e, quando está bem, ajuda em casa, nalgumas tarefas. Fora isto, as atividades são bastante limitadas e passa muito tempo fechado, uma vez que vai bastantes vezes à casa de banho e está sempre com receio de fugas ou a ver-se ao espelho, com o intuito de se certificar de que não está molhado ou sujo. 
As pessoas mais próximas acompanharam todo o processo e Vitor sempre se sentiu muito apoiado. «Podemos viver bem e confortáveis. Não é o terror que parece ao início. Mas há coisas que não queremos saber… e ninguém quer ter um cancro para saber como é.» 

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Ana Margarida

Ana Margarida

“Hoje, apesar das alterações corporais evidentes, escolheria ter feito a ileostomia mais cedo.” Conheça a história da Ana Margarida
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Ana Margarida, com ileostomia desde 2023

Ana Margarida, como gosta de ser tratada, tem 39 anos e é empresária há nove. Abandonou a programação informática para se dedicar à área da escrita que sempre a apaixonou - o copywriting -, e já não se imagina a trabalhar por conta de outrem.
Diagnosticada com Colite Ulcerosa em 2012, viveu 11 anos com uma doença que descreve como «chata e descontrolada». Da cortisona à medicação biológica, nada parecia funcionar para a sua Doença Inflamatória do Intestino (DII) e, após o quarto biológico falhado e uma colonoscopia onde foram detetadas células pré-malignas, teve de pensar seriamente, pela primeira vez, em cirurgia.
Vieram o medo e a negação, mas decidiu não permanecer apenas com a evidência de que teria de ser operada. Procurou uma segunda opinião, uma terceira, informou-se o mais possível e contactou outros ostomizados, curiosamente ou não, quase todos estrangeiros (desde canadianos a brasileiros, a passar por australianos).
Enquanto aguardava pela cirurgia, começou outra crise que a empurrou mais rapidamente para a ileostomia. Havia muito receio, por parte da equipa médica que acompanhava a Ana Margarida, de que, ao lado daquelas células suspeitas, existissem já tumores malignos.
Foi assim que, em janeiro de 2023, deu entrada no Hospital Curry Cabral e se preparou para sair do bloco operatório com um saco na barriga. Saco esse que era uma realidade muito remota para si, já que a cirurgia sempre fora encarada como último recurso (e muito temida).
Hoje, a Ana Margarida diz ter um problema com a narrativa praticada junto dos doentes com DII (Colite Ulcerosa e Crohn). «Construí a ideia de que uma ostomia iria retirar-me qualidade de vida e de que seria o último recurso. Hoje, apesar das alterações corporais evidentes, escolheria ter feito a ileostomia mais cedo.»
Como sempre teimou em não se deixar limitar pela doença, desenvolveu estratégias para viver com a Colite Ulcerosa e nunca ficou nada por fazer. Porém, garante ter perdido a noção do que era estar bem e, agora, com a ileostomia, sente que ganhou mais energia, mais saúde e uma nova oportunidade de viver bem.
«As pessoas que sofrem com uma determinada patologia costumam castigar-se muito e desistir de viver. Há limitações, sim, mas, por vezes, somos nós que nos impomos estes limites e desistimos do que nos traz alegria.»
Pôs todos os amigos e família a par do que ia acontecer e, embora sentisse preocupação do outro lado, o apoio era incondicional.
«Eu não queria acordar da cirurgia. Achava que a minha vida ia acabar. Até que pensei no quão arrogante estava a ser. Então, para os outros está tudo bem, devem aceitar e ser felizes, mas a mim já não podia calhar uma ileostomia? Porquê? Por que motivo me acho eu assim tão especial?»
Considera que o segredo para se viver bem com uma ostomia é deixar de ter pressa. «Tratar do estoma com calma e com tempo, para garantir que tudo está em conformidade e que não haverá problemas de fugas ou descolamento do saco depois de sair de casa.»
De resto, sente-se bem resolvida com a sua nova imagem e condição, e até já planeia a primeira viagem de avião para muito breve.

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Diogo

Diogo

“A vida não parou. Quero viver.” Conheça a história do Diogo
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Diogo, com colostomia desde 2021

A data que tatuou na pele é a da cirurgia. Diogo Marcelino trabalha no setor automóvel, tem 46 anos e foi ostomizado em 2021, na sequência de um cancro.

 

Um dia, detetou a presença anormal de sangue numa ida à casa de banho, mas desvalorizou. Três dias depois, sofreu uma hemorragia tão grande, que acabou por desmaiar. Saiu do hospital sem a confirmação do que teria. Mas desconfiava.

 

A primeira reação, após a confirmação do diagnóstico, foi associar cancro a morte. «Como iria contar ao meu filho de 15 anos e às minhas pessoas?» Por ser muito pragmático, encarou a situação como um problema que teria, naturalmente, uma solução. 

 

E assim foi. Fez tratamentos e foi submetido à cirurgia que mudou Diogo para sempre, deixando-o com uma colostomia definitiva. Embora existisse uma pequena janela de oportunidade para reverter, o próprio pediu que, havendo possibilidade de ter uma recidiva ou de sofrer incontinência, preferia que se eliminassem essas possibilidades de uma vez.

 

Outros desafios se impuseram a partir da cirurgia, como o facto de, a cada dois ou três dias, ter de fazer uma irrigação. Inicialmente, com ajuda, mas, após alguma persistência e munido de bastante humor, conseguiu passar fazê-lo sozinho. A necessidade de irrigação era diária, porém, tendo perdido 32 kg, o intestino passou a funcionar melhor e a irrigação começou a ser feita com um intervalo um pouco maior.

 

Sentiu-se em baixo diversas vezes, no entanto, junto da família e amigos, mostrava-se muito prático e positivo. E foi com esta determinação que continuou a praticar os seus hobbies, nomeadamente, automobilismo. Demorou algum tempo até perceber qual o material que se adaptava melhor à rotina e ao seu corpo. Por exemplo, chegou a enrolar película aderente antes de se deitar para garantir uma boa noite de sono. Sentir-se à vontade para sair foi desafiante, contudo, hoje, já se conhece e consegue evitar situações difíceis, como o descolamento do saco. 

Aguarda abdominoplastia e cirurgia para reposição do estoma e resolução de uma hérnia paraestomal.

 

Aprendeu a respeitar mais a vida e considera-se uma pessoa muito mais calma e ponderada depois de todo o processo. «Para quê correr? Para quê discussões? Viro as costas e está tudo bem.»

 

O núcleo de amigos é pequeno e todos sabem da condição de Diogo. Pessoas externas a este núcleo poderão ser esclarecidas sobre o assunto, eventualmente, mas de forma natural. Quando diz que tem de parar, as pessoas respeitam. Difícil é o próprio aceitar que, às vezes, tem mesmo de o fazer.

 

Os cuidados do estoma, realiza-os sozinho, praticamente, desde o primeiro dia de ostomia. Diz não querer arrastar ninguém, quer para a doença, quer para a ostomia, porque «não quero ser esse peso para ninguém».

 

Usa uma t-shirt de compressão na praia visto que, mais do que o saco, a hérnia fá-lo sentir-se vulnerável e exposto. «Mas, um dia destes, vou conseguir. A vida não parou. Quero viver.»

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Programa Care

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“Fazer parte do Care, é um privilégio e conseguir ajudar de alguma forma dezenas de pessoas por dia é gratificante” Conheça a história do Diogo
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Programa Coloplast Care, desde 2018

Dezembro é o mês da partilha e entreajuda, por isso decidimos trazer até si a história do programa de apoio ao utente da Coloplast: o Programa Care. Antes de mais, gostaríamos de vos contar a história da Coloplast. Surgiu em 1954, na Dinamarca, quando Elise Sørensen, uma enfermeira sentiu necessidade de ajudar a sua irmã. Thora tinha feito uma cirurgia e ficou com uma ostomia, o que lhe causou muitos receios, ansiedades e medos, não querendo sair de casa por ter medo de ter de lidar com fugas. Ao ouvir os problemas da sua irmã, Elise concebe a ideia do primeiro sistema de ostomia adesiva do mundo. A Coloplast nasceu da vontade de ajudar o próximo e é com esse propósito em mente que trabalhamos todos os dias. Os valores da Coloplast definem a forma como pensamos e agimos, não só enquanto empresa, mas também como pessoas: proximidade com os utentes, paixão em fazer a diferença, respeito e responsabilidade uns pelos outros, assim como pelo mundo à nossa volta. A nossa missão é tornar a vida mais fácil às pessoas com necessidades de saúde íntima! A multinacional dinamarquesa surge em Portugal em 2018, pronta para ouvir e responder às necessidades das pessoas com uma ostomia. Assim, é com grande orgulho que ao longo desse ano surge o Programa Coloplast Care: um programa de apoio gratuito que oferece suporte técnico e até emocional para auxiliar na gestão da nova condição clínica, bem como acesso a uma linha de apoio de 2ª a 6ª feira, das 9h às 13h e das 14h às 17h, a leituras sobre atividades quotidianas e acesso a material e eventos exclusivos com utentes e profissionais de saúde.Inicialmente, o programa contava com ajuda de uma especialista de produto, mas com a vontade de chegar a mais pessoas e com o crescimento da empresa, atualmente tem duas profissionais de saúde disponíveis através de telefone ou e-mail para responder às suas questões. A empatia que criamos com as pessoas é uma mais valia para o nosso trabalho, pois é com elas que conseguimos evoluir e melhorar de dia para dia. Na verdade, fazer parte do Care, é um privilégio e conseguir ajudar de alguma forma dezenas de pessoas por dia é gratificante. Não existe um dia sem um desafio, sem uma história para partilhar, sem o coração acelerar ao poder participar no caminho que estas pessoas percorrem. Tem uma certa magia, poder ouvir todo o retorno, por exemplo, uma pessoa que voltou a estar no ativo graças às tiras de fixação pois a sua profissão envolve estar exposto a temperaturas elevadas; ou até outra que finalmente encontrou connosco um produto que permite ter uma noite de sono completa e reparadora. Podíamos enumerar muitos casos, mas, de forma sucinta, terminamos o dia de trabalho com o sentimento de dever cumprido ao saber que ajudámos alguém a adaptar a sua vida e desfrutar dela ao máximo. 

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